sábado, 20 de agosto de 2016

Evoluções da Psicanálise - Movimento relacional

"Da perspectiva do diagnóstico psicológico, talvez uma das mais importantes contribuições de análise do movimento relacional seja a sensibilidade dessa teoria em relação a experiência não formulada (D. B. Stern, 1997, 2009), construção social de sentido (Hoffman, 1998), múltiplos estados do self (Bromberg, 1991, 1998) e a dissociação (Davies e Frawley, 1994); todas elas abarcam modos de pensar sobre a experiência do self que implicam mais fluidez e abertura do que conseguiu reconhecer a teoria tradicional."

(Diagnostico Psicanalítico: Entendendo a Estrutura da Personalidade no Processo Clínico. Nancy MacWilliams)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

adoecer como linguagem


“A doença não é algo que vem de fora e se superpõe ao homem, e sim um modo peculiar da pessoa se expressar em circunstâncias adversas. É, pois, como suas outras manifestações, um modo de existir, ou de coexistir, já que o homem não existe, coexiste. E como o ser humano não é um sistema fechado, todo o seu ser se comunica com o ambiente, com o mundo, e mesmo quando, aparentemente não existe comunicação, isto já é uma forma de comunicação, como o silêncio, às vezes, é mais eloquente do que a palavra”. (PERESTRELLO, 1982).

"As pessoas adoecem devido à maneira desarmônica de se relacionar com o mundo. Devemos buscar no universo subjetivo, na intimidade de cada um, as respostas; não no mundo concreto e objetivo dos fatos e acontecimentos." (BALLONE, 2001)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pulsações



"Antes de reduzir o desejo à lógica da castração e a arte a um quadro nosológico, é bom que se diga desde já: desejo não é festa. Não é enigmático, tampouco impossível, busca de um objeto perdido numa infância longínqua.
(...)
Dito de outra forma: o desejo não é linear!

Seus múltiplos direcionamentos, pluralidade constitutiva, permitem reconhecer tantos anseios de dureza, de territórios conhecidos, quanto a existência de linhas de fuga, de repertórios inusitados que façam a vida se expandir em novas direções.

Fala-se, então, de um desejo como máquina construtiva das variações que os encontros entre os corpos acionam, fazendo-os variar de infindáveis maneiras.
Não há desejo que não peça mais conexões, mais agenciamentos.
Retirar-se, entretanto, o desejo do reino circunspeto da falta não é o mesmo que afirmá-lo espontaneísta. Transgressor, talvez em suas linhas de fuga, mas isso já é diferente! É que em termos de desejo não há interioridade, há coletivos.
Agenciamentos constitutivos do desejo que se conectam a mais coletivos. Daí podermos dizer que não temos desejos (eles não vêm de fábrica, com acessórios infantis!); fazêmo-los e, com eles, nos fazemos singulares e construímos mundos que nos são próprios"
Das armadilhas desejantes: capturas e rupturas institucionais. Simone Paulon.