Pular para o conteúdo principal

Evoluções da Psicanálise (trecho)


"Com as teorias de estágio pós-freudianas, os novos analistas tinham novos caminhos para compreender como seus pacientes ficaram “emperrados” e para perceber de maneira diferente as mudanças confusas nos estados do self. Podiam então oferecer interpretações e hipóteses para seus clientes auto-críticos que iam além de especulações sobre eles terem sido desmamados muito cedo ou muito tarde, ou treinados para ir ao banheiro com muito rigor ou de maneira muito relapsa, ou então por terem sido seduzidos ou rejeitados durante a fase edipiana. Em vez disso, podiam agora investigar com os pacientes se suas características refletiam processos familiares que tornaram mais difícil para eles o acesso a um sentimento de segurança, autonomia ou prazer em suas identificações (Erikson), ou sugerir que o destino os privou da crucial importância de um “melhor amigo” na pré-adolescência (Sullivan), ou comentar que a hospitalização de sua mãe quando eles tinham 2 anos sobrecarregou o processo de adaptação normal para tal idade e necessariamente para uma separação ideal (Mahler), ou ainda observar que, naquele momento, eles estão sentindo um terror primitivo porque o terapeuta interrompeu os processos de pensamento deles (Ogden)."

Diagnostico Psicanalítico: Entendendo a estrutura da personalidade no Processo Clínico. Nancy MacWilliams

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO AULA: NEUROSE, PSICOSE E PERVERSÃO

Abaixo Resumo aula: Estruturas Clínicas para estudantes da área de saúde
A Psiquiatria Clássica considera que a doença mental tem origem dentro do organismo. Busca a explicação dos distúrbios do comportamento em uma possível disfunção ou anomalia da estrutura ou funcionamento cerebral. Nesse sentido, existem mapas cerebrais que localizam em cada área cerebral funções sensoriais, motoras, afetivas, de intelecção.  Nessa abordagem da doença, os quadros patológicos são exaustivamente descritos no sentido de quais distúrbios podem apresentar.
Para a Psicanálise, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza. Todos nos humanos mediante a passagem pelo Complexo de Édipo e conforme somos atravessados pela falta e castração nos situamos dentro de uma determinada estrutura psíquica.
Estrutura psíquica é um modo de funcionamento diante da vida, de lidar com o próprio desejo e o desejo do outro, se relacionar com o mundo, com o que nos faz falta e o que nos motiva.

Auto-Estima: Uma possível construção

Inúmeros livros de auto-ajuda buscam ensinar o amor a si mesmo; como elevar a auto-estima. Mas será que o amor próprio é algo que se aprende?
Para a psicanálise lacaniana, o EU é constituído a partir do olhar do Outro. Quem já não presenciou o jubilo de um bebê quando tem cerca de seis meses ao descobrir sua imagem no espelho? Se quem segura este bebê, não só neste momento, mas na vida, ou seja, se a pessoa constante em seus cuidados o vê como um SER especial, dotado de virtudes singulares e com uma personalidade própria, a base para a constituição da sua auto-estima está solidificada. Nestes primórdios da vida, o olhar dos pais dota o bebê da ilusão de completude. O pequenino é dependente, não tem o controle dos esfíncteres, não anda, não fala, usa babador. E daí? É fofo, pequeno e encantador.
A questão é que nem todos recebem este olhar. D. W. Winnicott, pediatra e psicanalista inglês acrescenta através de sua teoria e prática clínica que a base da segurança é passada na forma que o b…

Infidelidade: Quem ama trai?- Ana Elizabeth Diniz

Até mesmo os especialistas em comportamento humano e sexólogos têm dificuldade em conceituar a infidelidade porque ela esbarra naquilo que nos individualiza, como nossa carga emocional, história de vida, dificuldades, limitações, angústias e querências as mais diversas, algumas até patológicas.  A infidelidade requer uma visão tridimensional, "a da pessoa traída, a que trai e a terceira pessoa. Ela pressupõe a quebra do pacto de exclusividade na relação amorosa e gera sofrimento por ter que dividir o companheiro com outro alguém", afirma Clara Feldman, psicóloga, e autora dos livros "Sobre-vivendo à traição", "De Paixão e Cegueira" e "Encontro, uma Abordagem Humanista". Motivações não faltam para explicar a infidelidade. "Alguns argumentam que a qualidade do relacionamento não está boa, que se sentem insatisfeitos com a relação, outros porque apresentam a ‘síndrome do pavão’, aquele que seduz pelo simples fato de seduzir e depois abandona a …