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Mostrando postagens de Maio, 2015

Retornos - Wislawa Szymborska

Voltou. Não disse nada.
Mas estava claro que teve algum desgosto.
Deitou-se vestido.
Cobriu a cabeça com o cobertor.
Encolheu as pernas.
Tem uns quarenta anos, mas não agora.
Existe --mas só como na barriga da mãe
na escuridão protetora, debaixo de sete peles.
Amanhã fará uma palestra sobre a homeostase
na cosmonáutica metagaláctica.
Por ora dorme, todo enroscado.

Wislawa Szymborska, é polonosa, ganhou o Nobel de Literatura em 1996. Teve uma antologia publicada com tradução de Regina Przybycien pela Companhia das Letras.

A mínima diferença - Maria Rita Kehl

Há cem anos não se fala em outra coisa. O falatório surpreenderia o próprio Freud. Se ele criou um espaço e uma escuta para que a histérica pudesse fazer falar seu sexo, num tempo cuja norma era o silêncio, o que restaria ainda por dizer ao psicanalista, quando a sexualidade circula freneticamente em palavras e imagens, como a mais universal das mercadorias?

Ainda assim, parece que nada mudou muito. O escândalo e o enigma do sexo permanecem, deslocados – já não se trata da interdição dos corpos e dos atos – avisando que a psicanálise ainda não acabou de cumprir o seu papel. Mulheres e homens vão aos consultórios dos analistas (e, como há cem anos, mais mulheres do que homens), procurando, no mínimo, restabelecer um lugar fora de cena para uma fala que, despojada de seu papel de lata de lixo do inconsciente (no que reside justamente sua obscenidade), vem sendo exposta à exaustão, ocupando lugar de destaque na cena social, até a produção de uma aparência de total normalidade.

Parece qu…

Entrevista - Ainda queremos amar como a Cinderela? com o Psicanalista Christian Dunker

10 frases de Motivação: Agir a partir do seu desejo

Abaixo 10 frases de Motivação, onde a marca de ter  um desejo próprio e poder se afirmar a partir do próprio desejo comparecem. 

1. O ponto de partida de qualquer conquista é o desejo.” – Napoleon Hill
2. “O primeiro passo em direção ao sucesso é dado quando você se recusa a ser um prisioneiro do ambiente em que estava inicialmente.” – Mark Caine
3. “Todo progresso acontece fora da zona de conforto.” – Michael John Bobak
4. “Daqui a vinte anos, você não terá arrependimento das coisas que fez, mas das que deixou de fazer. Por isso, veleje longe do seu porto seguro. Pegue os ventos. Explore. Sonhe. Descubra.” – Mark Twain
5. “Nosso maior medo não deve ser o fracasso, mas ser bem-sucedidos em algo que não importa.” – Francis Chan 6. “Eu não sei a chave para o sucesso, mas a chave para o fracasso é tentar agradar a todos.” – Bill Cosby 7. “Se você não tiver seu próprio plano de vida, é provável que caia no plano de alguma outra pessoa. E adivinha o que eles planejaram para você? Não muito…

A falta do significante mestre na psicose

“....começar a pensar num sujeito cujo horizonte de significações não estaria organizado ao redor de uma unidade possível. Um sujeito que estaria num mundo no qual existe significação. Mas, no final das contas, todas as significações são significações em si mesmas, não se medem a uma significação que distribui as significações do mundo. E um sujeito eminentemente errante, errante no sentido da errância, não do erro.”







(Introdução a uma clínica diferencial das psicoses. Calligaris, Contardo. Artes Médicas. Porto Alegre. 1989, p.12 )



06 DE MAIO, DIA DO PSICANALISTA

HOMENAGEM AO PAI DA PSICANÁLISE “Dia do Psicanalista” 6 DE MAIO Dr.Wagner Paulon
Sigismund Schlomo Freud nasceu em 6 de maio de 1856, em Freiberg, Moravia (atualmente Pribor, Checoslovaquia), filho de Jacob Freud e sua terceira esposa, Amália . Sigi, como era chamado por seus parentes, teve sete irmãos mais jovens. O pai de Freud, um comerciante judeu de posses modestas, levou a família para Leipzig, Alemanha (1859), seguindo para Viena (1860), onde Freud viveu até 1938. Aos 8 anos de idade, Freud lia Shakespeare e, na adolescência, ouviu uma conferência, cujo tema era o ensaio de Goethe sobre a natureza, ficando profundamente impressionado. Abreviou seu nome para Sigmund Freud em 1877. Pretendia estudar Direito, mas decidiu seguir Medicina, interessado na área de pesquisas. Ingressou na Universidade de Viena em 1873. Como aluno, Freud iniciou um trabalho de pesquisa sobre o sistema nervoso central, orientado por Ernst Von Brücke (1876), e formou-se médico em 1881. Trabalhou na Clínica Psiqui…

Ternura

“Storge”, em grego, é ternura, e “Stergo”significa que amo ternamente. Esse verbo, “Stergo”, constrói-se a partir do“Stereos”, que quer dizer, em grego, o real, aquilo que é firme e sólido. A ternura, isto é, o amor dos pais, representa para os gregos aquilo que torna firme, que dá firmeza e segurança.

Clínica diferencial da neurode e psicose - Contardo Calligaris

"Para o neurótico é um saber suposto ao pai, para o psicótico não pode ser suposto (pois a quem?) e deve ser produzido (pelo menos pelas trilhas da sua errância), mas também só pode ser produzido na superfície da coisa mesma, como um casulo ao redor da coisa mesma. Com efeito, de onde pode se originar um saber que não seja suposto a um sujeito, que então não possa ser transmitido, se não na coisa mesma que este saber tenta simbolizar? Para entender melhor, consideremos que a errância psicótica não é necessariamente uma operação motora. Pode ser uma errância intelectual. Falar de errância intelectual nos levaria a pensar em um tipo de pensamento sem organização, mas não é disso que se trata. Trata-se de um pensamento que tem um horizonte de totalidade, que não se autoriza a partir de uma filiação, ou seja, de uma transmissão, mas se sustenta nos seus próprios percursos, e por isso só pode emanar da coisa mesma, como se aflorasse na superfície dela. Se tomarmos um exemplo clássico…

Excertos da obra de Ferenczi

Da fantasia ao trauma
Depois de haver dedicado toda a atenção cabível à atividade fantasística enquanto fator patogênico, fui levado, com freqüência cada vez maior, a me ocupar do próprio trauma patogênico.
A amizade tácita entre o analista e o analisando
Esse pacto de amizade tácita permitiu, então, que o analista e o “analisando” [primeira ocorrência do termo analisando, em 1928] colaborassem no desvendamento do inconsciente.
O papel do psicanalista
A presença de alguém com quem se possa compartilhar e comunicar alegria e sofrimento (amor e compreensão) cura o trauma.
O tato
Trata-se, antes de mais nada, de uma questão de tato psicológico (...). Mas, que é o tato? (...) O tato é a faculdade de “sentir com”.

O psicanalista aprende com as crianças
Quanto a saber como traduzir os símbolos para as crianças, eu diria que, em geral, as crianças têm mais a nos ensinar nesse campo do que o inverso. Os símbolos são a própria língua das crianças, só temos que ensiná-las a se servirem deles.

Sándor Fere…

Sándor Ferenczi

Psiquiatra e psicanalista, nasceu a 7 de julho de 1873, em Miskolc, na Hungria. Sándor (diminutivo de Alexandre) era médico psiquiatra e psicanalista, originário de uma família de judeus imigrantes. Foi o clínico mais talentoso da história do freudismo e um dos seguidores da psicanálise de Freud. Tinha uma amizade íntima com Freud e foi o seu discípulo favorito e um dos seus raros amigos. 

Em 1894, Sándor obtém o seu diploma de medicina em Viena na Áustria e começa a interessar-se pelos fenómenos psíquicos e pela hipnose. Em 1897, Sándor opta pela carreira médica e começa a trabalhar no Hospital Saint Roch, em Budapeste, onde logo se mostrou adepto da medicina social e se tornou médico assistente no asilo de pobres e prostitutas. Em 1899, publica inúmeros artigos pré-analíticos até 1908, entre eles Espiritismo, dedicado à transmissão de pensamento, mas é em 1900 que se estabelece como neurologista, sendo chefe do serviço de Neurologia em 1904. 

Em 1907, entusiasmou-se pela obra de Freud…

Conhece-te a ti mesmo!

"O que mais me impressiona em Freud, aquilo em sua obra que me remete a mim mesmo e que, portanto, assim transmite à obra sua atualidade viva, não é a teoria dele, embora eu lhes vá falar sobre isso, nem tampouco seu método, que aplico em minha prática. Não. O que me encanta quando leio Freud, quando penso nele e lhe dou vida, é sua força,sua loucura, sua força louca e genial de querer captar no outro as causas de seus atos, de querer descobrir a fonte que anima um ser. Sem dúvida, Freud é, antes de mais nada, uma vontade, um desejo ferrenho de saber; mas sua genialidade está em outro lugar. A genialidade é uma coisa diferente do querer ou do desejo. A genialidade de Freud está em ele haver compreendido que, para apreender as causas secretas que movem um ser, que movem esse outro que sofre e a quem escutamos, é preciso, primeiro e acima de tudo, descobrir essas causas em si mesmo, refazer em si — enquanto se mantém o contato com o outro que está diante de nós — o caminho que vai …