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Françoise Dolto sobre a Solidão

Sobre Depressão, fala Françoise Dolto num diálogo do Livro “Solidão”:Desconhecido: Quando estamos sós e deprimidos, não conseguimos ir em direção aos outros. Nós mesmos precisamos ser reconfortados”.
Françoise Dolto.: Não é verdade. Se a pessoa que disse isso passou pela experiência da depressão, que da próxima vez em que ficar deprimida estabeleça previamente um programinha:’ no dia em que eu ficar deprimido, sei que posso ir a tal instituição onde sempre precisam de pessoas de boa vontade’. Então ela precisa levantar-se e ir até lá. Vai constatar que nunca mais cairá numa crise de depressão.

Também é preciso se dizer que as crises de depressão são cíclicas. E uma espécie de encontro marcado consigo mesmo. Há pessoas que são ritmadas assim. E nesses casos, em particular, que a psicanálise pode ser muito útil. Num momento de depressão desse tipo, não se deve hesitar  em procurar um psicanalista. Nem por isso se estará começando uma uma psicanálise de dez anos. nos momentos em que não estamos deprimidos, depois de trocarmos duas ou três palavras com alguém, já estaremos menos deprimidos. O fato de dar a alguém algo que não temos permite sobreviver; damos sempre o que não sabemos ter, o que acreditamos não ter. Em cada um de nós existe alguém que quer conversar com outra pessoa. Não se sabe quem. Se conversarmos com outra pessoa, reencontramos essa pessoa em nós”. (Solidão, p.442 – Ed. Martins Fontes, SP; 1998)

Para Françoise Dolto, a solidão só acaba quando se descobre uma forma de se expressar. Escrever (mesmo que sejam diários) é um caminho para transformar a solidão numa experiência construtiva, de busca de comunicação.



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