sábado, 7 de março de 2015

A Ação Terapêutica - da Psicanálise e a Neurociência - Victor Manoel Andrade

Por muito tempo, a Psicanálise atribuiu sua ação terapêutica ao método cognitivo de tornar consciente o inconsciente mediante interpretações. Como essa fórmula clássica não dá conta das patologias narcísicas agora predominantes, a tendência atual é privilegiar a reprodução no setting analítico das primeiras relações objetais significativas, de modo a estabelecer um novo modelo de relação objetal. Acredita-se que as patologias narcísicas derivam de falhas estruturais causadas pela internalização de objetos que desempenharam a função materna inadequadamente. A transferência enseja a replicação das primeiras relações afetivas, permitindo ao analista empático emular a função materna de modo a estabelecer um novo modelo de relação objetal. A internalização desse modelo modifica o anterior, responsável por falhas estruturais. Essa ação afetiva primordial é completada e consolidada secundariamente pelas interpretações. A alteração psíquica assim concebida é compatível com a experiência neurocientífica, segundo a qual relações afetivas modificam circuitos neurais.


SUMÁRIO DA OBRA

Parte 1. O mundo freudiano como afeto e representação

Capítulo 1. Quota de afeto e representação – Manifestações psíquicas do impulso instintual (Trieb)
Capítulo 2. Onde a psicanálise atua – O objeto de mudança
Capítulo 3. Como a psicanálise atua – Fundamentos da ação terapêutica
Capítulo 4. A evolução da maneira de ver a ação terapêutica
Capítulo 5. O narcisismo e a chamada personalidade borderline – Um exame de obscuridades conceituais à luz da metapsicologia freudiana

Parte 2. A ação terapêutica da psicanálise

Capítulo 6. O afeto e a ação terapêutica – Novas perspectivas para a teoria da técnica
Capítulo 7. O sonho como estado primordial da mente – A conduta analítica em face do narcisismo primário revelado no sonho
Capítulo 8. Sonho e psicose – Aspectos metapsicológicos e clínicos

Parte 3. Metapsicologia científica e o ser humano como unidade sociobiológica

Capítulo 9. Metapsicologia e consiliência
Capítulo 10. O ego, o inconsciente e a consciência
Capítulo 11. Esclarecimentos finais.

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