sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Mergulho

Tem uma hora que a boca seca, você olha a sua volta e o ar está abafado. É a crise hídrica, o final do planeta terra que vinha sendo anunciado há tanto tempo. Não, não é apenas isso. Como se fosse pouco. A verdade é que você é humano e as misérias do planeta o atingem mais porque está frágil. Olha bem e vê sua vida.  Não está onde queria, não desejou nada disso. Gosta de gente, está sozinho. Gosta de estar sozinho, está cheio do tumulto a sua volta. Tudo está mudado agora. Tudo que construiu anos atrás. 
Seus filhos se foram ou não nasceram. Dentro dos seus olhos ainda há miragens e no espelho um olhar inquisidor. Há alguns cabelos que insistem em se pratearem e você se pergunta o porquê do tempo se ontem você podia construir uma vida inteira diferente deles.
Olha para fora e não vê nada.  Dentro há fumaça dos seus sonhos queimando.  Sabe que não é o fim. È o fim de algo. O começo de outra coisa. O que acabou?  Muitas coisas.  Outra vida. A vida que você desejou e não aconteceu. Definitivamente você sabe que não está ficando mais jovem.  Não estará mais jovem daqui dez anos. Isso só importa na medida em que não há tempo para esta vida que desejou desde sempre.
È tão bonito o amanhecer. Tão bonito o sol batendo nas águas. Todas as manhãs provocativas de um novo recomeço. Mas não há recomeço, há novas possibilidades totalmente diferentes.
Bebe água aos goles. Pensa na escassez. Pensa daqui 40 anos se terá água assim, á disposição.

Sai saciado de ter sede.

Própria autoria

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