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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Palavras

Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?”
Drummond

ANDRADE, Carlos Drummond. Procura da poesia. In: A rosa do povo. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1973.

Uma análise sobre a loucura que mora em todos nós

O psicanalista Juan-David Nasio, autor de “Os Olhos de Laura  — Somos Todos Loucos em Algum Recanto de Nossas Vidas"

Em “Os Olhos de Laura”, o psicanalista Juan-David Nasio busca explicar por que pessoas mentalmente saudáveis têm seus instantes de loucura

Especial para o Jornal Opção Uma criança segura uma pomba numa das mãos. Seus olhos são grandes e tristes, olham para quem os encara fora do quadro onde sua existência artística se encerra. O quadro fica em frente à cama da irmã de Laura e a criança a observa noite e dia com seu olhar sombrio. A empregada usa a criança para fazer com que as irmãs a obedeçam; do contrário, a criança tomará seu lugar. E o que acontece com a irmã de Laura? Comete suicídio, embora já crescida, depois de viver muitos anos sob a mira da criança angustiada, presa no quadro.
Esse breve relato, digno de um curioso drama psicológico, poderia ser retratado no cinema ou na literatura, afinal Laura é um nome sonoro e portentosamente literário; a irmã suicida não …

Fadas no Divã, de Diana L. Corso e Mario Corso

A psicanálise sente-se à vontade no terreno das narrativas, afinal, trocando em miúdos, uma vida é uma história, e o que contamos dela é sempre algum tipo de ficção. A história de uma pessoa pode ser rica em aventuras, reflexões, frustrações ou mesmo pode ser insignificante, mas sempre será uma trama, da qual parcialmente escrevemos o roteiro. Freqüentar as histórias imaginadas por outros, seja escutando, lendo, assistindo a filmes ou a televisão ou ainda indo ao teatro, ajuda a pensar a nossa existência sob pontos de vistas diferentes. Habitar essas vidas de fantasia é uma forma de refletir sobre destinos possíveis e cotejá-los com o nosso. Às vezes, uma história ilustra temores de que padecemos, outras, encarna ideais ou desejos que nutrimos, em certas ocasiões ilumina cantos obscuros do nosso ser. O certo é que escolhemos aqueles enredos que nos falam de perto, mas não necessariamente de forma direta, pode ser uma identificação tangencial, enviesada.
A paixão pela fantasia começa mu…

Clariciando vida...(Clarice Lispector)

"... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida."
 "...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda." 
 "Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária."  (A paixão segundo G.H)
 "Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente."

(Clarice Lispector)

Jorge Forbes: “As empresas precisam ir para o divã”

JORGE FORBES, PSICANALISTA E PSIQUIATRA: "AS PESSOAS ESTÃO CADA VEZ MAIS SUJEITAS A PASSAR POR VERDADEIROS CURTOS-CIRCUITOS" PARA O PSIQUIATRA E PSICANALISTA, AS EMPRESAS PRECISAM FAZER ANÁLISE PARA ENTENDEREM AS PECULIARIDADES DE UMA ÉPOCA, NA QUAL AS HIERARQUIAS RÍGIDAS E VERTICALIZADAS FAZEM POUCO SENTIDO
Como gerir equipes, reter talentos ou se comunicar com os consumidores em um mundo sem bússolas, em constante mutação? Lidar com dilemas desse quilate, óbvio, não é uma tarefa simples. Mas algumas pistas para a solução de problemas desse tipo podem ser encontradas em um lugar insólito: em um divã, por exemplo. O psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes, um dos introdutores das teorias de Jacques Lacan no Brasil, está convicto de que as empresas precisam fazer análise. Isso para que entendam as peculiaridades de uma época, na qual as hierarquias rígidas e verticalizadas fazem pouco — ou nenhum — sentido. “As relações humanas, sob o ponto de vista psicanalítico, não são mais i…

Winnicott - Conceitos

Vida (elipses) - Contardo Calligaris

"Das várias formas possíveis de infelicidade, me parece mais aflitiva não é necessariamente a que mais dói. Muito mais trágico me parece o destino de quem atravessa a vida sem se molhar, como se os efeitos (felizes ou nefastos) escorressem sobre a pele como água sobre as plumas de um pato. Com seus altos e baixos, imagine nossa vida como uma breve passagem por um circuito de montanhas- russas. Quem atravessasse a experiência anestesiado, sem gritos, pavor e risos, teria jogado fora o dinheiro do bilhete. Tenho a ambição, ao contrário, de ajudar meus pacientes a viver de tal forma que, chegando o fim, eles possam dizer-se que a corrida foi boa". Contardo Calligaris

Casal - Flavio Giokovate

Os melhores amigos são aqueles em quem confiamos a ponto de serem depositários dos nossos segredos. Nosso par sentimental deve ser um deles.
Sem que haja confiança para que se possa partilhar os mais íntimos segredos, não cabe dizer que estamos diante de um vínculo afetivo forte.
Quando me perguntam qual a importância do sexo na vida dos casais sempre respondo que ele não tem tanta importância desde que vá muito bem!
As afinidades de caráter adequadas para que um relacionamento seja delicado e sem brigas têm a ver com competência para lidar com frustrações.
A autocrítica é pouco praticada porque ela dói. Quem não tiver coragem de enfrentar essa dor não avançará e dificilmente será feliz no amor.
Criaturas autoritárias só "combinam" com aquelas que precisam abrir mão da individualidade em favor do aconchego: são alianças entre opostos.
Se uma pessoa combinar mal com outra bem parecida com ela mesma é hora de deixar de lado as acusações, virar o dedo para si e da autocrítica.

Conheça diferenças entre a depressão e o estado de melancolia - Marcos Munhoz

Melancolia deve ser encarada como o estágio mais extremo da depressão.  Medicamentos não devem ser encarados como a única alternativa para o tratamento.
O cineasta dinamarquês Lars von Trier trouxe à cena a melancolia, que estava escondida num canto escuro da casa, encoberta pelo termo médico "depressão".
Seu novo filme é um retrato desse estado de ânimo em todos os aspectos: dos psiquiátricos (sintomas da depressão) aos filosóficos (a tristeza como consciência da solidão humana no universo). 
O tema está na ordem do dia, afirma o psicólogo Marco Antônio Rotta Teixeira, que faz sua tese sobre melancolia e depressão na tradição do pensamento ocidental. "Mas a melancolia vem sendo falada com a roupa da depressão." O atual conceito médico da depressão usa dados mensuráveis para definir esse estado, como tempo de duração de sintomas. 
Para a psicanálise, a melancolia é o estágio mais extremo da depressão. A apatia do melancólico é fruto da perda de algo ou de alguém, que p…

bile negra - Edson Cruz

há manhãs quando
nem o cheiro
do café
o jornal aberto
sobre a mesa
o sorriso franco
da amada
o chamado doce
de meu filho
o latido amigo
do cachorro
o frescor florido
da jabuticabeira
o canto verde
das maritacas
o azul-celeste
de janeiro
suprem o oco
do corpo a corpo
com a vida
o sumo
desperdiçado
a dádiva
imerecida

Edson Cruz (Iheus, BA) é poeta, editor e revisor publicitário.