sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Por quê o divã? x A técnica da associação livre.

                                                                 
                                                                               Divã de Sigmund Freud 

A única maneira de o analista instalar o discurso analítico, de dirigir a cura, é não dirigir o paciente.
(...) Freud alertou para esse ponto exigindo a neutralidade do analista. Para ele, o analista deve deixar em suspenso seus próprios valores, sua verdade, sua experiência, para poder investigar a do outro. 
Um outro procedimento para o analista instalar o discurso analítico é fazer o sujeito aplicar a regra fundamental da associação livre. O analista, ao não identificar a sua verdade com a do paciente, encontra essa verdade no próprio paciente.
A psicanálise usa o método da associação livre para descobrir a verdade do paciente, e pede a ele que diga tudo o que lhe passar pela cabeça, sem que faça nenhum tipo de censura. Sem esse método de investigação seria impossível haver psicanálise e não haveria discurso analítico. 
Para uma maior eficácia nesta investigação, utiliza-se de variáveis técnicas, que são uma questão de estilo, de convenção; o divã, por exemplo. Freud dizia que usava o divã por uma questão de preferência pessoal, pois não conseguia atender dez pacientes seguidos olhando para eles todo o tempo. Freud também percebeu que, para facilitar a obediência à regra fundamental, deveria sair do campo escópico do paciente, pois suas reações certamente influiriam na concatenação de idéias do analisante.Se o paciente observar o analista, a associação não será tão livre assim, porque qualquer reação do analista pode, inconscientemente, significar algo para esse paciente e produzir uma modificação em seu curso associativo. A técnica da exclusão do analista do campo visual do paciente é uma forma de tornar mais pura a investigação, e de aproximar-se a uma condição em que o único estímulo para a associação livre seja o próprio psiquismo do paciente." 


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