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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Elisabeth Roudinesco ataca ‘inimigos da psicanálise’

Elisabeth Roudinesco é a mais famosa historiadora da psicanálise na França. Hoje, porém, essa psicanalista de 67 anos, com dezenas de livros publicados em 30 países, entre eles uma biografia de Lacan (de 1993) e dois volumes da “História da psicanálise na França”, está no fogo cruzado de uma guerra que a opõe aos detratores da psicanálise, de um lado, e à família de Lacan, de outro. Em entrevista ao GLOBO, Roudinesco defende Freud e Lacan, mas queixa-se que alguns psicanalistas levam os mestres ao pé da letra, como se a psicanálise fosse “uma seita”, ataca. Ela se diz chocada com a disputa na Justiça com a filha de Lacan, Judith Miller, a quem conhece desde os seis anos de idade. A mãe de Roudinesco, Jenny Aubry, especialista em psicanálise de crianças, era amiga de Lacan. Foi uma das pessoas, segundo Roudinesco, que ouviu Lacan falar sobre o sonho de ter um funeral católico, um dos motivos do conflito com Miller.

Na sociedade de hoje, apressada, individualista e pragmática, Lacan e F…

Por quê o divã? x A técnica da associação livre.

Divã de Sigmund Freud 

A única maneira de o analista instalar o discurso analítico, de dirigir a cura, é não dirigir o paciente. (...) Freud alertou para esse ponto exigindo a neutralidade do analista. Para ele, o analista deve deixar em suspenso seus próprios valores, sua verdade, sua experiência, para poder investigar a do outro.  Um outro procedimento para o analista instalar o discurso analítico é fazer o sujeito aplicar a regra fundamental da associação livre. O analista, ao não identificar a sua verdade com a do paciente, encontra essa verdade no próprio paciente. A psicanálise usa o método da associação livre para descobrir a verdade do paciente, e pede a ele que diga tudo o que lhe passar pela cabeça, sem que faça nenhum tipo de censura. Sem esse método de investigação seria impossível haver psicanálise e não haveria discurso analítico.  Para uma maior eficácia nesta investigação, utiliza-se de vari…

Sobre o arrependimento

O arrependimento seria uma saída possível do ressentimento: aquele que se responsabiliza por uma escolha que redundou em fracasso ou sofrimento pode arrepender-se, sem precisar culpar ou acusar alguém pelo prejuízo. Mas o arrependimento também pode se transformar em lamento sem fim, em meio de gozo equivalente ao ressentimento. Também pode ser um modo de não aceitar as com sequencias de uma escolha , os erros e descaminhos percorridos ao longo de uma vida que nunca é perfeita. O arrependimento, em suas formas extremas , também sinaliza um recusa narcisista da determinação inconsciente. Só quem se julga inteiramente senhor de todos os seus atos não se perdoa por uma má escolha. Neste sentido, vale tomar  o ensaio de Michael Montaigne sobre o arrependimento, em que esse pensador  que levou os últimos anos da sua vida a examinar-se o mais honestamente possível afirma que não se arrepende de nada porque não se pretende infalível. 
                              Expliquemos aqui o que repit…

O império do pensamento do obsessivo

"Contudo, se o seu desejo é forte, o desejo do Outro também se apresenta como onipotente e o obsessivo sente-se ameaçado diante desta onipotência. Teme o confronto com o desejo onipotente do Outro, que o ameaça de aniquilamento, ao mesmo tempo em que se coloca o dilema de sua destruição. Destruir o Outro o protegeria de ser liquidado pelo seu desejo, entretanto, a medida de sua dependência deste Outro, o seu aniquilamento, o seu aniquilamento, significaria a sua própria destruição. Assim, como medida de proteção, o obsessivo coloca o desejo dentro da dimensão da impossibilidade e desenvolve toda especie de escapatórias para não se confrontar com o desejo. O seu movimento é matar o desejo, já que a sua proximidade o deixa absolutamente desprotegido. É esse movimento de destruição que o leva  a um superinvestimento da dimensão significante como estrategia para manter o Outro vivo, dai a excessiva racionalização e o universo de duvidas e abstrações a que se encontra submetido. É o …

Felicidade é responsabilidade pessoal e intransferível

Entrevista de Jorge Forbes publicada no site A Tarde.com.br Qua , 15/01/2014 às 18:16 "Felicidade é responsabilidade pessoal e intransferível" Fabiana Mascarenhas
O psicanalista e médico psiquiatra Jorge Forbes sempre defende que buscar alguém para suprir as carências emocionais é assinar um atestado de infelicidade permanente. "Só pode estar junto aquele que pode estar separado. A felicidade é uma responsabilidade pessoal e intransferível". Segundo ele, a primeira coisa que é necessário saber é que a felicidade amorosa não tem garantia. "Todo amor é um contrato de risco que mantém os parceiros sempre alertas". Doutor em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em Psicanálise pela Universidade Paris VIII e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), Forbes é um dos principais introdutores do ensino de Jacques Lacan no Brasil, de quem frequentou os seminários em Paris, de 1976 a 1981. Teve participaçã…

10 MITOS SOBRE A PSICANÁLISE

O paciente fala deitado no divã e o analista só escuta, sentado numa poltrona confortável. Cliché no cinema, a cena nem sempre é exatamente essa nos consultórios. Aqui, toda a verdade sobre o folclore que envolve essa relação tão delicada. Por Sílvana Tavano

Todas terapias têm a mesma meta: lidar com a angústia e com o sofrimento, ajudando o paciente a ser mais feliz e a encontrar um sentido para a vida. Mas cada modalidade busca esses objetivos à sua maneira -em alguns casos, a pessoa vai dramatizar e reviver situações pelas quais passou; em outros, vai tentar desatar nós desbloqueando tensões físicas. Na psicanálise, a fala é o fio condutor de um processo de autoconheci-mento.Tudo começou com Freud, no início do século passado: ao receber pacientes que já tinham consultado todos os médicos de Viena, sem sucesso, Freud percebeu que o ato de falar, sendo ouvido por alguém, era terapêutico. Mais do que isso, esse discurso podia trazer à tona conflitos que estavam em outro lugar além da …

Escuta analítica

“Freud escuta nas reticências, nos tropeços, no sintoma, para apanhar na palavra a verdade do corpo e do desejo...Se o fenômeno, o manifesto e o aparente tornam-se suspeitos, o insensato e o incoerente ganham significação.”
(Rubia Delorenzo, Neurose Obsessiva, págs. 20 e 21)