domingo, 4 de agosto de 2013

Reencontrando a Felicidade



Rabbit Hole (no Brasil, Reencontrando a Felicidade) é um filme de  2010, estrelado por Nicole KidmanAaron Eckhart,  dirigido por John Cameron Mitchell, baseado na peça homônima de David Lindsay-Abaire. Recebeu uma indicação ao Oscar em 2011 pela atuação de Nicole Kidman como Becca Cobert.
Neste belo drama acompanhamos a trajetória do casal Becca e Howie na tentativa de lidarem, cada um ao seu modo, com a abrupta morte do filho de 4 anos num acidente.
Becca se isola, procura regenerar algo de si, através do cuidado das plantas, da casa, cozinhado, mas não suporta o contato com os outros e quando abrupto é vivido como invasão, como o próprio acidente.  Assim logo na primeira cena, vemos o seu olhar desolado para a plantinha que é esmagada, sem intencionalidade, pela vizinha que vem convidar o casal para jantar.
Becca não consegue fazer amor com o marido, vive suas aproximações como uma não compreensão do que está vivendo, já que tem dificuldade de comunicar seus sentimentos, a não ser quando se sente agredida e defende-se. Decorreram oito meses que Becca e Howie  perderam o filho.
Ao longo do filme vamos compreendendo a construção do psiquismo da personagem; a mãe auto-referente sempre compara a dor de Rebecca a sua dor pela morte do filho, Arthur, aos 30 anos por overdose há 11 anos. Becca necessita de um espaço em que possa viver a singularidade da sua dor. A irmã de Becca com um perfil psicológico bem diferente da irmã, mais próxima à mãe, revela uma gravidez inesperada, de um músico que conheceu há algumas semanas, que trará a Becca mais questões emocionais com que lidar.
O marido ao contrário tem necessidade de estar com as pessoas, retomar a vida e ao mesmo tempo revive o filho dia após dia assistindo um pequeno vídeo em seu celular.
Há pinturas de Danny na geladeira, o quarto esta intacto, o guarda-roupa e todos brinquedos solitários. Becca busca ainda, sem iniciar um trabalho de luto, se desprender das coisas do filho doando as roupas de Danny para o filho da irmã que não aceita dizendo que seria estranho, isso se nascer menino, ver o filho correr com as roupas que foram do sobrinho.
Um incidente dá um novo rumo a conturbada história; um dia Becca vê dentro do ônibus o olhar absorto do introspectivo Jason.
Começa então a segui-lo até ser descoberta. Ele então pergunta o que ela quer e começam com cuidado a tatearem o mundo um do outro. Becca com sua sensibilidade sabe que o mundo de Jason foi transpassado pelo acidente que causou, ele sabe da dor
que causou, há ainda  um sentimentos que ambos compartilham a necessidade de reconstruir novos referenciais para habitar o mundo, um desafio para o rapaz de vai para a faculdade, que irá se distanciar da mãe que mora apenas com ele, e para a mãe que perdeu seu filho.
A cena do primeiro encontro de Becca com Jason é de uma sutileza e sensibilidade sem subterfúgios.
Quem Becca vê em Jason? Seu filho projetado no futuro? Já que se identifica com ele emocionalmente. Ela mesma no passado? Ela hoje, na busca por sua travessia para uma vida onde possa viver apesar da morte do filho? Quantas são as realidades paralelas que o filme nos apresenta?
Enquanto Becca inicia seu processo de luto, após o encontro com Jason, Howie se perde nos meandros da carência, do desejo, não conseguindo compreender o que se passa consigo e com a mulher, busca através de outra suprir sua carência. Ao voltar para a casa sem a presença de Becca, ao imaginar-se abandonado, deita-se na cama do filho em posição fetal e dorme.
Acompanhar a trajetória do casal entre encontros e desencontros é atravessar o que, em nós, habita de humano.

Autoria própria, 2013


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