terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Ciclo da vida e o relacionar-se



Nosso corpo precisa de uma rotina, horários para comer, dormir, trabalhar, lazer. Notem que quando dormimos menos ou acordamos em intervalos intercalados por uma noite no dia seguinte sentimos a diferença, mas que pode ser logo recuperada, ao contrário se dormimos mal por alguns dias, nosso corpo e mente ficarão cansados, começamos a ficar lentos ou irritados.
O que somos, almejamos, projetamos no mundo. De tal forma que podemos afirmar que estendemos ao nosso ambiente de trabalho e/ou casa um pouco da forma que somos e como sentimos através da escolha e disposição dos objetos. Retratos, lembranças, sonhos. O desejo de mudar a disposição dos móveis, comprar novos móveis para casa, as vezes, reflete o desejo de uma mudança interior, mas é esperado que isto ocorra depois de um período de tranquilidade, uma vez que transformação não exclui a estabilidade e a continuidade. É saudável que o mesmo ocorra em nossos relacionamentos amorosos. Conhecemos alguém, desejamos sexualmente e começamos a nos encontrar. Podemos começar apaixonados ou  gostar do antes e depois o suficiente para desejarmos nos encontramos novamente com aquela pessoa e na repetição dos encontros cada um revela algo novo e ao mesmo tempo encontramos o mesmo. Ao nos identificamos com alguns aspectos que também encontramos em nós em menor ou maior proporção, desde aspectos da personalidade até gostos pessoais, ao termos prazer juntos e em estar juntos, começamos a querer compartilhar mais momentos. Da paixão podemos passar ao gostar muito e ao amor. O amor comporta a tolerância do que não gostamos, justamente sustentado por tudo que admiramos e gostamos no outro e pela troca de afetividade que nos alimenta.
Depois de alguns anos as revelações são menores, sabemos como o outro reage, se está de mau humor ou realmente deprimido, como lida com a raiva, se é mais compreensivo ou exige que o sejamos mais do que pode nos compreender. Quanto mais duradora uma relação mais encontraremos o mesmo e o novo, porque mudamos ainda que não características estruturais, exemplo: se somos introvertidos, sempre o seremos, mas podemos ser introvertidos sociáveis e fazer novas amizades em uma festa com 40 anos que não faríamos aos 20. Aos 40 estamos lidando com algumas questões diferentes das questões que iremos lidar aos 50 anos e bem diferente de questões que tivemos que lidar aos 20 anos.
Esse processo se chama: VIDA.
Estamos contra o fluxo da vida ao almejar efemeridades. A nossa cultura que  idealiza apenas o novo,  a juventude, a embalagem e não o conteúdo vai numa vertente que é contra o próprio fluir da vida. A efemeridade dos encontros não numa determinada fase da vida (quando jovens ou após uma separação), mas como uma forma de vida pode apontar para uma  defesa, uma forma de evitar se relacionar com o outro. O eremita se relaciona durante anos com alguma abstração, uma ideia, é uma forma de vida. O que quero dizer é que sempre estamos nos relacionando quando vivos e saudáveis ou adoecemos.
Amadurecemos e crescemos em relação a partir do reconhecimento quando bebês que há um outro e começamos a ter que lidar que não somos tudo, não somos completos, que precisamos do outro, quando então ficamos frustrados e irritados e se tivermos sido bebês com alguma sorte foi possível chorar e ser atendidos, início do relacionar-se. Assim fomos aprendendo a tolerar a espera, a ausência e almejar a chegada da mãe, seu cheiro, cuidado, toque e sua atenção.  Se a frustração por necessitar do outro não foi mais do que o aparelho psíquico do bebê tem capacidade de tolerar,  este começará a desejar conhecer o mundo, ir e vir, bem como, aceitar as idas e vindas do outro. Se os pais não lamentarem por seus bebês estarem crescendo e ficarem contentes com isso, se suportaram que suas crianças virem adolescentes por um tempo rebeldes e adultos que irão realizar os próprios sonhos não os deles possibilitarão que seus filhos entrem no ciclo da vida, que envolve perdas e ganhos, continuidade e transformação. Se isso não foi possível, podemos fazê-lo ser ainda que adultos. Como? Ao aprender a lidar/ suportar a dor da ausência e da perda, que precisamos do outro. Quando adultos e mais difícil que quando pequenos, mas nunca impossível.
Podemos aprender uma lição que se repete por toda a vida, que os finais podem ser transformados em aberturas para novos começos a partir de tudo que construímos, que fomos e somos e seremos.
Do primeiro choro ao último suspiro.


Autoria própria, 2011

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dizem: Do analista silencioso!



"A caricatura do analista eternamente silencioso, sugerindo que a análise se desenrola ao sabor da fala, é uma visão incorreta. É uma caricatura errônea do nosso trabalho de analista e lhe é nociva (...). Nós, analistas, trabalhamos ativamente, de uma forma que não consiste simplesmente em deixar que a palavra surja. Quero dizer que temos perspectivas, expectativas, objetivos, decepções, porque estamos na posição muito precisa que podemos chamar 'de política, de estratégica e de tática', como diz Lacan (...). É preciso dirigir o tratamento. É preciso assumir inteiramente esse papel e, ao mesmo tempo, saber que o objetivo que queremos perseguir, não o atingiremos dirigindo o tratamento."

(J.-D. Nasio, in Como trabalha um psicanalista?, Editora Jorge Zahar, págs. 7,8 e 9)

domingo, 22 de setembro de 2013

Hemel (2012)

Hemel  (que significa céu em holandês) é um sensível drama de  2012, estrelado pela jovem atriz Hannah Hoekstra  e Hans Dagelet (Gijs), dirigido por  Sacha Polak.
O filme se destaca pela poética fotografia e crua realidade das dificuldades do relacionamento do pai Gigs com sua filha Hemel.
Gigs cria sua filha sozinho após um caso passageiro em que a mãe da criança comete suicídio. Não estabelece uma relação de amor com outra mulher, tendo várias tentativas ao longo da vida até sua filha se tornar adulta. Hemel torna-se uma jovem agressiva, provocativa, mantendo uma vida sexual com diferentes parceiros evitando qualquer tipo de envolvimento afetivo. Em uma das cenas em que um homem é carinhoso após terem relação sexual ela diz: “você não precisa fazer isso.” Diz que não gosta de pós-preliminares e acabar por pedir para ele sair.
Hemel se identifica com o pai, mas sem perceber que o padrão do pai é menos rígido. Ele mantém relações sexuais/afetivas por um tempo, é monogâmico, embora não consiga se entregar a uma relação plenamente,  enquanto ela evita qualquer intimidade. O único padrão de amor que Hemel conhece é adoecido, é o amor que ambos tem um pelo outro e que os prende, um amor fusional, que não delimita os espaços, que funde um ao outro e por isso é agressivo, difícil, traiçoeiro.
Em uma das cenas vemos Hemel chegar e o pai ignorá-la enquanto continua a tocar trompete. Ela o abraça pelas costas e o beija no pescoço, ele lhe chama a atenção preocupado que ela tenha sujado de batom sua camisa, logo estão no chão brincando de lutar, como se ela fosse um filho homem, ao mesmo tempo a cena remete a uma intimidade de casal. Nesta cena e ao longo do filme fica a sensação embaraçosa para o espectador de ver pai e filha emaranhados nas teias de um amor onde um pai não soube barrar o amor edípico de sua filha, embora a tenha amado como filha e cuidado dela, o que temos conhecimento na última cena. Teria sido a ausência na sua vida da vivência de amar e ser amado por uma mulher que o teria impedido de barrar este amor da filha para além do amor ao pai-homem? Possivelmente.
Desta forma o pai a trata ás vezes de forma  agressiva e brusca, ao mesmo tempo que outras vezes não impõe limites na intimidade que poderá haver entre eles. Resta a filha o sentimento confuso de ser constantemente rejeitada ao mesmo tempo que é exposta a um suposto amor sem limites que algumas vezes a coloca num lugar infantilizado, noutras de um menino-rapaz ou da mulher do pai que poderia supostamente em sua fantasia formar um casal.  Porém dois encontros vem mudar o rumo desta história. O apaixonamento da filha por um amigo do pai, um homem casado, que não vem a amá-la, mas com quem vive uma troca afetiva e a decisão do pai de morar com Sophie, a mulher pela qual encontra a via para o amor na idade madura. A esta mulher ele entrega um anel om a seguinte escrita: “Você me faz humano.” Haveria maior definição do que esta para o amor?

Abaixo um trecho do filme onde o pai revela a filha que irá morar com Sophie e ambos discutem sobre o tema amor. 

Pai: Vou morar com Sophie

Filha: Ela é a mulher certa?

Pai: Acho que sim.

Filha: Onde

Pai :Em nossa casa

Filha:“Nossa” com “você e eu” ou com “você e ela”?

Pai: Nossa com “minha casa”. Você tem sua casa. Você pode ficar com o seu quarto, é claro.

Filha: Por que vai morar com ela? Nunca fez isso antes. Por que a ama?

Pai: Eu sinto que não preciso esconder nada pela primeira vez na vida.

Filha: Isso é amor? Para mim amor é querer saber tudo que o outro sabe, ser a mesma pessoa que ele por dentro.

Pai: Acho que as diferenças são o mais interessante.

Autoria própria, 22/09/2013


PSICANÁLISE & LITERATURA: Clarice Lispector: Inquietações do inacessível


Clarice Lispector, uma das personalidades mais inteligentes e sensíveis do cenário cultural brasileiro, publicou por muitos anos uma coluna semanal no “Jornal do Brasil”, que foram reunidos no livro “A DESCOBERTA DO MUNDO”. Nestas crônicas, Clarice se desvelava: “Na literatura de livros permaneço anônima e discreta. Nesta coluna, estou de algum modo me dando a conhecer.” No texto de 29/8/1970, Clarice revela por meio de uma linguagem clara e simples, na forma de perguntas e respostas, a densidade e profundidade de seu mundo subjetivo.

                      “Perguntas e Respostas para um Caderno Escolar”


- Qual é a coisa mais antiga do mundo?
 Poderia dizer que é Deus que sempre existiu.

- Qual é a coisa mais bela?
O instante de inspiração.

- E Deus quando criou o Universo não o fez no momento de Sua maior inspiração?
O Universo sempre existiu. O cosmos é Deus.

- Qual das coisas é a maior?
O amor, que é o maior dos mistérios.

- Qual das coisas é a mais constante?
O medo. Que pena que eu não possa responder que é a esperança.

- Qual o melhor dos sentimentos?
O de amar e ao mesmo tempo ser amada, o que parece apenas um lugar-comum mas é uma de minhas verdades.

- Qual é o sentimento mais rápido?
O sentimento mais rápido, que chega a ser apenas um fulgor, é o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor.

- Qual é a mais forte das coisas?
O instinto de ser.

- O que é mais fácil de se fazer?
Existir, depois que passa o medo.

- Qual é a coisa mais difícil de realizar?
A própria relativa felicidade que vem do conhecimento de si mesmo. (depois as perguntas se tornaram mais complicadas.)

- Você é tímida como escritora?
Na hora de escrever não sou tímida. Pelo contrário: Entrego-me toda. Como pessoa sou às vezes inibida.

- Como nascem suas histórias? Elas são planejadas antes do ato de escrever?
Não, vão se desenvolvendo à medida que escrevo, e nascem quase sempre da mesma sensação, de uma palavra ouvida, de um nada ainda nebuloso.

- Como é que você se sente durante o ato de escrever? E depois de escrito o livro, você se preocupa com o destino dele?
Enquanto escrevo o bom é que não dou mostra da grande excitação de que às vezes sou tomada. E por mais difícil que seja o trabalho, sinto uma felicidade dolorosa, pois, com os nervos aguçados, fico sem a cobertura de um cotidiano banal. E depois de pronto o livro, de entregue ao editor, posso dizer como Julio Cortázar: retesa o arco ao máximo enquanto escreve e depois o solta de um só golpe e vai beber vinho com os amigos. A flecha já anda pelo ar, e se cravará ou não cravará no alvo; só os imbecis podem pretender modificar sua trajetória ou correr atrás dela para dar-lhe empurrões suplementares com vistas à eternidade e às edições internacionais.

- O que acontece com a pessoa encabulada que você é, enquanto tem a ousadia de escrever?
Desabrocho em coragem, embora a vida diária continue tímida. Aliás, sou tímida em determinados momentos, pois fora destes tenho apenas o recato que também faz parte de mim. Sou uma ousada-encabulada: depois de grande ousadia é que me encabulo.

- Você conhece os seus maiores defeitos?
Os maiores não conto porque eu mesma me ofendo. Mas posso falar naqueles que mais prejudicam a minha vida. Por exemplo, a grande fome de tudo, de onde decorre uma impaciência insuportável que também me prejudica.

- Você sente e participa dos problemas da vida nacional?
Como brasileira seria de estranhar se eu não sentisse e não participasse da vida de meu país. Não escrevo sobre problemas sociais, mas eu os vivo intensamente e, já em criança, me abalava inteira com os problemas que via ao vivo.

[In: Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo – Rio de Janeiro: Rocco, 1999, pag.308.]

O Espaço Cultural da SBPRP convida a todos para uma interlocução entre a Literatura e a Psicanálise.



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Todo Mundo Quer Amor - Jorge Forbes em Entrevista para a Revista Marie Claire


O psicanalista e psiquiatra Jorge Forbes* fala que a felicidade amorosa não tem garantia. Ele acredita que buscá-la é obrigação de todos. Mesmo sabendo do risco de se machucar no caminho.

Marie Claire: É impossível ser feliz sozinho?
Jorge Forbes: Todo ser humano necessita de alguém que o incomode, que o desafie todos os dias. Quando acontece o encontro, um acorda o outro e é bom, as pessoas precisam de alguém que as retire do comportamento individualista. A mulher deve ser "a pedra no caminho" do homem, como nos versos de Carlos Drummond de Andrade. É ela quem alerta o homem, porque ele é mais acomodado e ela é mais inquieta. O encontro faz com que os dois tenham motivo para reinventar a vida todos os dias. Mas felicidade dá trabalho.


MC: Fixar-se na falta do parceiro é uma atitude infeliz?
JF: Idealizar que o parceiro é a fonte da felicidade tem dois lados ruins:

1. Enquanto está sem par, a pessoa desvaloriza as outras conquistas da vida, que também são importantes, mas acabam passando despercebidas.

2. Se, por acaso, consegue que seu relacionamento amoroso atinja seu ideal de felicidade, está fadada a perder essa situação, já que nenhum relacionamento é ideal eternamente.

MC: Como realizar o sonho de ser feliz no amor?
JF: Tentar ser feliz é obrigatório. Realizar é uma sorte. Para chegar um pouco mais perto, aí vão alguns lembretes:


1. Não acredite em conselhos que tenham em sua composição a palavra "dever".

2. Esqueça regras pré-concebidas. As formas de satisfação a dois só podem ter uma regra – o comum acordo entre os parceiros.

3. Os parceiros podem contar todas as fantasias amorosas um para o outro: contar sempre, realizar quando der.

4. Jamais tente compreender a felicidade. É preciso suportar o inusitado dela, mesmo se você não compreende o que está acontecendo! Com medo de que a felicidade acabe, as pessoas ficam tentando descobrir a receita para repetir exatamente o que aconteceu, na tentativa de aprisionar o momento feliz. Mas toda vez que se constrói uma prisão, a felicidade acaba.

5. A base da felicidade é o novo, a originalidade. Ela é a possibilidade de viver fora do padrão e de reinventar a vida. Quem ousa tem mais chance de ser feliz.


MC: Dizem que"casamento é loteria". O senhor acha que felicidade é questão de sorte?
JF: Concordo que o amor é um encontro por acaso. A essência do relacionamento não se pode prever e nem medir. Todo balanço pré-nupcial tem um elemento imponderável, por isso os mais velhos costumavam dizer que "quem pensa muito não casa". A razão é simples: é impossível entender plenamente por que se está casando.


MC:A felicidade depende da maturidade?
JF: Isso não garante nada. A maturidade é uma chatice que a civilização impõe. A felicidade é poder manter algo dos 5 anos de idade e não ser taxado de débil mental. Felicidade é a força bruta do desejo, que dá o impulso para que as coisas se realizem.

MC: "Tenho medo da dependência" é outro clichê moderno para fugir da intimidade emocional.
JF: Atrás dessa frase há sempre uma pessoa querendo muito ser dependente. Ao encontrar alguém aparentemente disponível, agarra-se a ela como garantia de segurança emocional, econômica, social, espiritual... mas isso não é felicidade. Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros: amor é o nome que se dá à ponte que recobre temporariamente essa distância entre eles. Mas a diferença sempre vai reaparecer, é inevitável. A felicidade é tênue, um encontro provisório. Não é standard, nunca é fixa.


MC:Esperar que a relação seja fonte de felicidade revela uma visão idealizada do amor?
JF: Tratar a relação amorosa como um tapa-buraco para as dificuldades da vida é exigir demais do parceiro, que acaba tendo uma responsabilidade que desconhece e com a qual não pode arcar. Relacionamento amoroso ajuda, sim, mas indiretamente: fornece energia e entusiasmo para enfrentar a vida.

MC:O que precisamos saber para amar e ser feliz?
JF: Que não existe garantia. Todo amor é um contrato de risco e nisso reside sua graça e sua desgraça. Graça, quando contribui para aumentar o entusiasmo na vida. Desgraça quando deixa a pessoa desarvorada – a pior reação de uma mulher frente à perda de um amor, segundo [a escritora] Marguerite Duras.


MC:Mulher sofre mais por amor do que homem?
JF: Geralmente, sim. O abatimento da mulher é maior porque a capacidade feminina de amar é infinitamente superior à do homem.

MC:Felicidade é uma responsabilidade pessoal?
JF: Pessoal e intransferível. Quem espera que o outro lhe traga a felicidade é porque se acomodou. Colocou o parceiro no lugar da mãe que levava o Toddy na cama.

MC:Na carência afetiva, corremos o risco de consumir o outro como um "antidepressivo"?
JF: Transformar amor em remédio é perigoso, felicidade não é artigo de consumo. A relação amorosa tem duas vertentes: a afetiva e a sensual. A afetiva é cuidado, segurança, companheirismo – é repetição. A sensual é invenção e nada tem a ver com o cuidar – envolve surpresa, uso sexual recíproco e tem uma vertente enigmática. Quando as pessoas estão carentes, tendem a desenvolver a corrente amigável e sufocar a sensual. Aí o amor acaba. Quem se preocupa demais com o dia-a-dia costuma fazer mal amor à noite.

MC: A felicidade amorosa quase sempre vem acompanhada do medo da perda, do abandono ou da traição. Como superar isso?
JF: Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar vulnerável. Amar é suportar ser ridículo. A partir dos 30 anos as pessoas estão escaldadas, já tiveram decepções amorosas. Daí o medo. Mesmo assim, vale a pena arriscar novamente, ainda sabendo que pode se ferrar de novo. Mas se a pessoa só se ferra, é hora de desconfiar de suas más escolhas. Tem gente que tem prazer em sofrer.


MC: A euforia do começo da paixão pode ser chamada de felicidade?
JF: A paixão pode ser chamada de felicidade, mas, quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e representa um perigo. Fica bonito no teatro, mas é muito triste na vida real. Daí personagens como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa... Morreram porque tentaram eternizar a paixão. Quando os envolvidos querem manter intocável a paixão, quando não suportam mudança ou interferência, acabam selando um compromisso de morte.


sábado, 7 de setembro de 2013

Frases sobre o Amor II Jacques Lacan



"Amamos aquele que carrega o traço do objeto anteriormente amado, e a tal ponto que poderíamos afirmar que, na vida, todos os seres que amamos se assemelham por um traço. Efetivamente, quando temos um novo encontro, é frequente ficarmos surpresos ao constatar que ele traz a marca da pessoa anteriormente amada. A idéia genial de Freud consistiu em revelar que essa marca que persiste e se repete, no primeiro, no segundo e em todos os outros parceiros sucessivos de uma história, que essa marca é um traço, e que esse traço não é outra coisa senão nós mesmos. O sujeito é o traço comum dos objetos amados e perdidos no curso da vida."

(Jacques Lacan).

sábado, 31 de agosto de 2013

A dor de amar - J. D. Nasio


O psicanalista J. D.Nasio inicia seu livro “A dor de amar”  relatando o caso da paciente Clémence que após longo período de tratamento de esterilidade perde o filho três dias após o seu nascimento. Nasio começa através de fragmentos da clínica a tecer as considerações sobre  a dor e o processo de luto decorrentes da perda de um ser amado.
Sobre o lugar do analista neste processo escreve que atribuir um valor simbólico a uma dor que é puro real é uma forma de possibilitar que o paciente não seja mais tomado pela dor de forma absoluta. Entendemos que ao contrário do que o senso comum pode conceber dar voz a dor não é consolar o paciente, encorajá-lo a viver a dor como uma experiência fortalecedora, nem fornecer uma interpretação desta dor de forma forçada e fora do tempo do paciente, e sim acompanhá-lo passo-a-passo neste espaço em que a dor será diluída em lágrimas e re-significada em palavras.
Nasio afirma que a dor psíquica é o sinal incontestável de uma prova. Ao se interrogar qual prova, responde: “A prova de uma separação, da singular separação de um objeto que, deixando-nos súbita e definitivamente, nos transforma e nos obriga a reconstruir-nos” (p.20).
Nasio usa como exemplo a perda devido a morte de uma pessoa querida, mas seu estudo abarca a perda pelo abandono; pela humilhação, quando então somos feridos no nosso amor-próprio e a dor da mutilação quando perdemos parte do nosso próprio corpo. Compreendendo que todas estas dores se referem a perda de um objeto amado, ao qual estávamos vinculados de tal forma que este participava e regulava a harmonia do nosso funcionamento psíquico e que a tal laço nomeamos por amor, trata seu estudo como a dor de amar. Através deste percorremos os meandros não apenas da compreensão da dor psíquica, mas da definição do que constitui o sentimento do amor.
Tal como um desenrolar de um novelo de lã e depois seu tricotar, Nasio irá desdobrando e revelando ao leitor o que entende pela dor psíquica causada pela perda a partir dos conceitos psicanalíticos. Assim dando seqüência a sua elaboração irá compreender que a dor aparece como um afeto causado não pela perda em si, mas pela percepção do transtorno interno  desencadeado pela perda.

"...a dor é um afeto, o derradeiro afeto, a última muralha antes a loucura e da morte. Ela é como um estremecimento final que comprova que a vida e o nosso poder de nos recuperarmos...Enquanto há dor, também temos força disponíveis para combate-la e continuar a viver." (p.23)

"O que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabebdo-o irremediavelmente perdido." (p41)

"Realizar um luto significa, de fato, desinvestir pouco a pouco a representação saturada do amado perdido, para torná-la de novo conciliável com o conjunto da rede de representações egóicas.O luto nada mais é do que uma lentíssima redistribuição de energia psíquica até então concentrada em uma única representação..." (p.40)       

(A Dor de Amar, J-D,Nasio, 2007, Zahar)


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Frases sobre o Amor I




 
"Nós nunca somos tão desamparadamente infelizes como quando perdemos um amor.”

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer."


"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!"
SIGMUND FREUD

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro."

"Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror"

"O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação."
CARL GUSTAV JUNG

"O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas como elas são."

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."
FRIEDRICH NIETZCHE 

'Nada provoca mais felicidade--e mais medo--do que o encontro amoroso de qualidade. É preciso redobrar a cautela contra a destrutividade."
FLAVIO GIKOVATE

"O diálogo que leva ao amor, que dá a cada um vontade de se arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas."

"O amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem."
CONTARDO CALLIGARES


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Depressão por Maria Rita Kelh

A psicanalista Maria Rita Kelh

A depressão é uma forma muito particular e avassaladora daquilo que corriqueiramente chamamos a dor de viver. Juntamente com a angústia e a dor propriamente dita, é uma constelação de afetos tão familiar que, como escreve Daniel Delouya, dificilmente conseguimos classificá-la entre os quadros clínicos da psicopatologia. À dor do tempo que corre arrastando consigo tudo o que o homem constrói, ao desamparo diante da voragem da vida que conduz à morte – que para o homem moderno representa o fim de tudo – a depressão contrapõe um outro tempo, já morto: um “tempo que não passa”, na expressão de J. Pontalis.
O psiquismo, acontecimento que acompanha toda a vida humana sem se localizar em nenhum lugar do corpo vivo, é o que se ergue contra um fundo vazio que poderíamos chamar, metaforicamente, de um núcleo de depressão. O núcleo de nada onde o sujeito tenta instalar, fantasmaticamente, o objeto perdido – objeto que, paradoxalmente, nunca existiu.
A rigor, a vida não faz sentido e nossa passagem por aqui não tem nenhuma importância. A rigor, o eu que nos sustenta é uma construção fictícia, depende da memória e também do olhar do outro para se reconhecer como uma unidade estável ao longo do tempo. A rigor, ninguém se importa tanto com nossas eventuais desgraças a ponto de conseguir nos salvar delas. Contra este pano de fundo de nonsense, solidão e desamparo, o psiquismo se constitui em um trabalho permanente de estabelecimento de laços – “destinos pulsionais”, como se diz em psicanálise – que sustentam o sujeito perante o outro e diante de si mesmo.
Freudianamente falando, a subjetividade é um canteiro de ilusões. Amamos: a vida, os outros, e sobretudo a nós mesmos. Estamos condenados a amar, pois com esta multiplicidade de laços libidinais tecemos uma rede de sentido para a existência. As diversas modalidades de ilusões amorosas, edipianas ou não, são responsáveis pela confiança imaginária que depositamos no destino, na importância que temos para os outros, no significado de nossos atos corriqueiros. Não precisamos pensar nisso o tempo todo; é preciso estar inconsciente de uma ilusão para que ela nos sustente.
A depressão é o rompimento desta rede de sentido e amparo: momento em que o psiquismo falha em sua atividade ilusionista e deixa entrever o vazio que nos cerca, ou o vazio que o trabalho psíquico tenta cercar. É o momento de um enfrentamento insuportável com a verdade. Algumas pessoas conseguem evitá-lo a vida toda. Outras passam por ele em circunstâncias traumáticas e saem do outro lado. Mas há os que não conhecem outro modo de existir; são órfãos da proteção imaginária do “amor”, trapezistas que oscilam no ar sem nenhuma rede protetora embaixo deles. “A depressão é uma imperfeição do amor”, escreve Andrew Solomon, autor de “O demônio do meio-dia”, vasto tratado sobre a depressão publicado nos Estados Unidos e traduzido no Brasil no final de 2002. Faz sentido, se considerarmos o sentido mais amplo da palavra amor.
Durante cinco anos, Solomon dedicou-se a pesquisar a depressão: causas e efeitos, tratamentos, hipóteses bioquímicas, estatísticas. Recolheu histórias de vida de dezenas de pessoas que passaram por crises depressivas – “nunca escrevi sobre um assunto a respeito do qual tantos tivessem tanto a dizer”. A estas, acrescentou sua própria história – o trabalho no livro foi uma forma de reação ao longo período em que ele próprio passou por sérias crises depressivas. Um período em que, nas palavras do autor, “cada segundo de vida me feria”.
A julgar pelos números recolhidos por Solomon em relatórios da divisão de saúde mental da Organização Mundial de Saúde – o DSM-IV – esta ferida acomete a um número cada vez maior de pessoas no mundo, e particularmente nos Estados Unidos. 3% da população norte americana sofre de depressão crônica – cerca de 19 milhões de pessoas, das quais 2 milhões são crianças. A depressão é a principal causa de incapacitação em pessoas acima de cinco anos de idade. 15% das pessoas deprimidas cometerão suicídio. Os suicídios entre jovens e crianças de 10 a 14 anos aumentaram 120% entre 1980 e 1990. No ano de 1995, mais jovens norte-americanos morreram por suicídio do que de da soma de câncer, Aids, pneumonia, derrame, doenças congênitas e doenças cardíacas.
Esta forma de mal estar tende a aumentar, na proporção direta da oferta de tratamentos medicamentosos: há vinte anos, 1,5% da população dos Estados Unidos sofria de depressões que exigiam tratamento. Hoje este número subiu para 5%. Sincero adepto dos tratamentos farmacológicos, que segundo ele salvaram sua vida, Andrew Solomon acaba por se perguntar se a doença cresce com o desenvolvimento da medicina ou se a indústria farmacêutica produz as doenças para os remédios que desenvolve, do mesmo modo que outros ramos industriais criam mercados para seus produtos.
Insight sem inconsciente?
A contribuição das terapias medicamentosas no tratamento das doenças mentais é inegável, e o analista, assim como outros “terapeutas da fala” no dizer de Solomon, não pode dispensá-la. “O Prozac não deveria tornar o insight dispensável,”, diz Robert Klitzman, da Universidade de Colúmbia, citado pelo autor. “Deveria torná-lo possível”.
Mas qual o insight possível, capaz de produzir efeitos sobre a subjetividade, em uma cultura onde as práticas de linguagem se impõem fortemente de modo a apagar o sujeito do inconsciente? As histórias de pacientes depressivos enumeradas por Andrew Solomon centram-se ao redor da perspectiva única do vitimismo. As pessoas se deprimem porque não suportam o que foi feito a elas. Acidentes, perdas traumáticas, abandonos, violência, abuso sexual na infância; é de fora para dentro que a vida psíquica se impõe àqueles que sofrem de mal estar.
É óbvio que a rede de proteção do psiquismo pode ser rompida pelas irrupções traumáticas do real; mas as “desgraças da vida” recaem sempre sobre um sujeito, incidem sobre uma posição desejante e são rearticuladas pelas formações do inconsciente, que são formações da linguagem. Do ponto de vista do vitimismo, a cura da depressão consiste na eliminação de todo traço de “má notícia” que advenha do inconsciente. A psiquiatria e a indústria farmacêutica aliam-se a este ponto de vista. “Assistimos a um conluio curioso entre a descrição psiquiátrica e a própria queixa do deprimido”, escreve Delouia. “A ignorância a respeito do psíquico “une o fenômeno depressivo com a parafernália nosográfica da psiquiatria”.
O autor não deixa de ser crítico em relação a esta perspectiva. “Nós patologizamos o curável. Quando existir uma droga contra a violência, ela será encarada como uma doença”. Também é crítico em relação ao ideal de remoção química de toda a dor de existir. No entanto, a ingenuidade a respeito da realidade psíquica prevalece até mesmo em relação à sua própria crise depressiva. Filho de uma mulher ativa e absorvente, que mais tarde ele próprio pode perceber como depressiva, Andrew Solomon participou, junto com o pai e o irmão, do suicídio assistido da mãe, vítima de câncer no ovário aos 58 anos. Depois dessa morte, dramática e intensamente estetizada, a fantasia de suicídio ocorre aos outros membros da família. No ano seguinte, Solomon inicia uma análise com uma mulher que lhe lembra a mãe, e propõe a ela um pacto incondicional: não abandonarão o tratamento até o “fim”, sob nenhuma condição. Mas alguns anos depois,a analista anuncia ao dedicado analisando que vai deixar o trabalho. Aposentadoria por tempo de serviço…
No tempo de análise que lhe resta, Andrew Solomon não entende por que vai entrando em depressão cada vez mais grave, até que a própria analista concorda em que ele busque auxílio psiquiátrico. A análise “termina” pouco depois, e ele atravessa um ciclo de depressões gravíssimas. A inabilidade da analista de Solomon quanto ao manejo da transferência diante de um quadro de luto melancólico salta aos olhos do leitor familiarizado com a psicanálise. Não é sem razão que ele escreve, anos mais tarde, que a psicanálise seja “hábil para explicar, mas não eficiente para mudar” os quadros depressivos.
A julgar pelo relato de Solomon, seu tratamento psicanalítico foi baseado na reconstituição da vida infantil, em busca de um causalidade psíquica que, de fato, pode ter valor explicativo mas não produz nenhuma intervenção sobre o psiquismo vivo e ativo no sujeito adulto. Pierre Fédida, em seu livro sobre a depressão, adverte sobre os riscos de se buscar a evocação de um “acontecimento real que se supõe empiricamente traumático: a vivência infantil – essencialmente inatual na fala associativa – recebe assim uma positividade patogênica, na forma de uma atualidade passada”. O “infantil” que interessa à psicanálise não é o do passado, rememorado pelo eu, mas o que se manifesta ao vivo na transferência, nas demandas dirigidas ao analista. Como a analista de Solomon não se deu conta da relação entre a proposta de uma análise incondicional feita por ele, o amor pela mãe e o pacto de morte que o uniu a ela? Como não se deu conta da relação entre a crise depressiva de seu analisante e o anúncio burocrático de sua “aposentadoria”?
O livro de Solomon não oferece nenhuma contribuição decisiva para o conhecimento da depressão, mas lança uma luz importante sobre as relações entre a emergência epidêmica dessa forma de mal estar e os modos de subjetivação predominantes na cultura norte-americana. Em uma sociedade onde as formações discursivas apagam o sujeito do inconsciente, em que a felicidade e o sucesso são imperativos superegóicos, a depressão emerge – como a histeria na sociedade vitoriana – como sintoma do mal estar produzido e oculto pelos laços sociais. O vazio depressivo, que em muitas circunstâncias pode ser compensado pelo trabalho psíquico, é agravado em função do empobrecimento da subjetividade, característico das sociedades consumistas e altamente competitivas. A “vida sem sentido” de que se queixam os depressivos só pode ser compensada pela riqueza do trabalho subjetivo, ao preço de que o sujeito suporte, amparado simbolicamente pelo analista, seu mal estar. A eliminação farmacológica de todas as formas de mal estar produz também, paradoxalmente, o apagamento dos recursos de que dispomos para dar sentido à vida.

Fonte: Texto retirado no site da psicanalista Maria Rita Kelh

domingo, 4 de agosto de 2013

Reencontrando a Felicidade



Rabbit Hole (no Brasil, Reencontrando a Felicidade) é um filme de  2010, estrelado por Nicole KidmanAaron Eckhart,  dirigido por John Cameron Mitchell, baseado na peça homônima de David Lindsay-Abaire. Recebeu uma indicação ao Oscar em 2011 pela atuação de Nicole Kidman como Becca Cobert.
Neste belo drama acompanhamos a trajetória do casal Becca e Howie na tentativa de lidarem, cada um ao seu modo, com a abrupta morte do filho de 4 anos num acidente.
Becca se isola, procura regenerar algo de si, através do cuidado das plantas, da casa, cozinhado, mas não suporta o contato com os outros e quando abrupto é vivido como invasão, como o próprio acidente.  Assim logo na primeira cena, vemos o seu olhar desolado para a plantinha que é esmagada, sem intencionalidade, pela vizinha que vem convidar o casal para jantar.
Becca não consegue fazer amor com o marido, vive suas aproximações como uma não compreensão do que está vivendo, já que tem dificuldade de comunicar seus sentimentos, a não ser quando se sente agredida e defende-se. Decorreram oito meses que Becca e Howie  perderam o filho.
Ao longo do filme vamos compreendendo a construção do psiquismo da personagem; a mãe auto-referente sempre compara a dor de Rebecca a sua dor pela morte do filho, Arthur, aos 30 anos por overdose há 11 anos. Becca necessita de um espaço em que possa viver a singularidade da sua dor. A irmã de Becca com um perfil psicológico bem diferente da irmã, mais próxima à mãe, revela uma gravidez inesperada, de um músico que conheceu há algumas semanas, que trará a Becca mais questões emocionais com que lidar.
O marido ao contrário tem necessidade de estar com as pessoas, retomar a vida e ao mesmo tempo revive o filho dia após dia assistindo um pequeno vídeo em seu celular.
Há pinturas de Danny na geladeira, o quarto esta intacto, o guarda-roupa e todos brinquedos solitários. Becca busca ainda, sem iniciar um trabalho de luto, se desprender das coisas do filho doando as roupas de Danny para o filho da irmã que não aceita dizendo que seria estranho, isso se nascer menino, ver o filho correr com as roupas que foram do sobrinho.
Um incidente dá um novo rumo a conturbada história; um dia Becca vê dentro do ônibus o olhar absorto do introspectivo Jason.
Começa então a segui-lo até ser descoberta. Ele então pergunta o que ela quer e começam com cuidado a tatearem o mundo um do outro. Becca com sua sensibilidade sabe que o mundo de Jason foi transpassado pelo acidente que causou, ele sabe da dor
que causou, há ainda  um sentimentos que ambos compartilham a necessidade de reconstruir novos referenciais para habitar o mundo, um desafio para o rapaz de vai para a faculdade, que irá se distanciar da mãe que mora apenas com ele, e para a mãe que perdeu seu filho.
A cena do primeiro encontro de Becca com Jason é de uma sutileza e sensibilidade sem subterfúgios.
Quem Becca vê em Jason? Seu filho projetado no futuro? Já que se identifica com ele emocionalmente. Ela mesma no passado? Ela hoje, na busca por sua travessia para uma vida onde possa viver apesar da morte do filho? Quantas são as realidades paralelas que o filme nos apresenta?
Enquanto Becca inicia seu processo de luto, após o encontro com Jason, Howie se perde nos meandros da carência, do desejo, não conseguindo compreender o que se passa consigo e com a mulher, busca através de outra suprir sua carência. Ao voltar para a casa sem a presença de Becca, ao imaginar-se abandonado, deita-se na cama do filho em posição fetal e dorme.
Acompanhar a trajetória do casal entre encontros e desencontros é atravessar o que, em nós, habita de humano.

Autoria própria, 2013


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Humano - Roseana Murray


para mim interessa
o que é humano
o lodo acumulado
no fundo da almas
as tranças espessas
o nó cego dos sentimentos
a corda do desespero
em volta do pescoço
o estalido noturno
dos ossos

o que é demasiadamente
humano
o lodo afiado de cada um
a faca a navalha do louco
os atos insensatos e cotidianos
um abrir e fechar as janelas
enquanto as estrelas de esparramam

Roseana Murray

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Donald Winnicott



Este médico inglês enfatizou a importância de brincar e de criar para a criança



Frases de Donald Winnicott: 

"O precursor do espelho é o rosto da mãe." 


"O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir."

O psicanalista Donald Winnicott trabalhava com crianças separadas de suas famílias em consequência da Segunda Guerra Mundial quando encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Donald Winnicott constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores. 

Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao "desenvolvimento emocional primitivo", cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o "ambiente", representado geralmente pela mãe. 

Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. "O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula", diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. "É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único." A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. "Se a mãe aceitar as manifestações do bebê - como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro", explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade. 


Aconchego e proteção 

Uma das frases famosas de Winnicott é "não existe essa coisa chamada bebê", querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da "mãe suficientemente boa", aquela cuja percepção - consciente ou inconsciente - das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente - nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria "colo") - propício a um processo de formação de um ser humano independente. "O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe", diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce. 

"Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar", segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo "inclusão", se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. "No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de 'mau comportamento'. "Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade", diz Bogomoletz. "Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."


O cobertorzinho

O movimento da psique entre o mundo das coisas e as fabricações da mente é uma atividade "transicional", adjetivo fundamental na obra de Winnicott. O conceito mais conhecido é o de "objeto transicional", representado classicamente pelo cobertorzinho a que muitos pequenos se agarram numa determinada fase. "Esse objeto é ao mesmo tempo uma coisa objetiva - existe num mundo compartilhado - e subjetiva - para seu dono, ele faz parte de uma fantasia, possui vida própria", explica Bogomoletz. 

Dessa forma, o objeto transicional prolonga o período em que o bebê se acredita onipotente, enquanto ele substitui essa crença com a aceitação de uma realidade sobre a qual não tem controle nem pode modificar por meio da imaginação. O bebê se vê com poderes mágicos e, com o tempo, percebe a ilusão. Mas, com as brincadeiras e o aprendizado do mundo, a criança, o adolescente e o adulto retêm o poder de criar e adaptam-se às possibilidades reais. "A fantasia é realmente a marca do humano", diz Bogomoletz. "Já a objetividade é uma habilidade que se aprende, como uma segunda língua."


"A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar", prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, "os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias". 


Formação nos campos de guerra

Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971. 

Análise da própria infância e marcas da psicanálise 


O interesse de Winnicott pelo estudo da construção da identidade veio da percepção da influência sufocante da mãe depressiva em sua personalidade. Ainda criança, Winnicott enveredou pelos caminhos da observação científica ao ler os estudos do naturalista Charles Darwin (1809-1892). Já pediatra, conheceu a obra de Sigmund Freud (1856-1939), fez terapia e freqüentou o grupo de Bloomsbury - integrado, entre outros, pela escritora Virginia Woolf (1882-1941) -, em que a psicanálise era tema recorrente. Seu trabalho chega ao Brasil com a criação de várias instituições winnicottianas.


domingo, 2 de junho de 2013

Sonhar, dormir e psicanalisar: viagens ao informe - Decio Gurfinkel



Sinopse: Aquele que cai no sono e mergulha no mundo dos sonhos dá início a uma viagem ao informe.
As "formas" construídas durante sua vida de vigília tendem a se desfazer, e o viajante navega rumo à solidão essencial que está no ponto de origem de toda existência humana.
Ora, algo semelhante acontece em um tratamento psicanalítico.
Nele, visitamos repetidamente um espaço-tempo onde a potencialidade criativa do sujeito pode ser reabastecida - ou, quando necessário, construída - contando com o suporte
do "suposto sonhar" do próprio analista.

Sumário

 Abertura 9
1. Tecimento do sonho e transicionalidade 27
A história mítica de Penélope e o tecimento da mortalha 29
Um trabalho do feminino? 39
A história clínica de Penélope e o tecimento do sonho 41

2. Sonhar e dormir 47
A via régia ao inconsciente e a clínica do recalcamento 47
Dormir: necessidade do Eu, retraimento ou regressão? 50
A queda no sono 57
Despertar pelo sonho 61

3. Os rituais de adormecimento: obsessividade, angústias depressivas e perturbação do sono 69
A doença do tabu, o delírio de tocar e a clínica do ódio 73
Adormecimento e assassinato do objeto 82
Depressividade: perturbação do sono e trabalho de luto 86
A depressividade como conquista 91

4. Passagens e quedas 95
Um rito de passagem 95
Rumo à solidão essencial 105
Quedas: uma regressão em dois tempos 114

5. Um espaço para sonhar 123
Passagens: preparação para mudança 125
A casa do sonho 131

6. Sonhar e viajar: na vertical do estrangeiro 137
A viagem do filósofo 137
O sonho como viagem 140
O sonho do filósofo e o sonho do psicanalista 146
Um sonho de clandestinidade 151
A angústia do sonhar e o sítio do estrangeiro 154

7. Sonhar e criar: viagens ao informe 163
Sonho, projeto e utopia 165
Viagens ao informe 172
Andarilhos e sonhadores: brincadeira de esconde-esconde 176

8. A inação do sono 185
A imobilidade do dorminte 185
Inação do sono: uma regra com exceções 189

9. Sono branco, sono pleno 199
Um sono sem sonhos 199
Depressão: negatividade branca e capacidade de sustentação 207
A presença de objetos e a tarefa terapêutica 212

10. A gestualidade do sonhar: movimentos 219
Psicanálise do gesto 219
O sonho como movimento 227
Rede de dormir: de cá pra lá, sem sair do lugar 233
Sonho: movimento no útero do sono 238

11. Sonhar: uma arte visual 243
Sonho e cinema 243
A magia nas artes visuais 245
Um olhar em movimento 251
Um “sonho fílmico”: fascinação ou criação? 256
Espaços oníricos compartilhados 259
Sonhar, dormir e psicanalisar: viagens ao informe

12. Sobressalto e sonambulismo 265
O sobressalto do despertar: uma figura da “passagem” 267
O caso S.: sonambulismo e adicção 270
Sonambulismo: uma falha da função onírica 273
O “sonho de terror” e a falha na transicionalidade 276

13. “Sonhos dirigíveis” e “viagem da droga”: um parque de diversões? 281
Os “sonho dirigíveis” 282
Sujeito ou objeto do sonho? 286
A “viagem da droga” 290
Um sonho-resposta: o sobressalto da viagem ao informe 294
A terra dos sonhos é um parque de diversões? 297

14. A poética do sonho e o olhar do outro: um “suposto sonhar” 301
Um sonho de menina, um conto de fadas 301
Beleza do gesto, beleza do sonho 304
A poética do sonho no espaço da análise: auto-retrato 310
Abrir-se para o sonho do outro 313
O psicanalista e o “suposto sonhar” 317
Referências 325

fonte: Livaria Pulsional

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Corações


"Nossos corações não necessitam de lógica, eles podem amar, perdoar e aceitar de uma forma que nossas mentes não conseguem compreender.
Corações compreendem de maneiras que mentes não são capazes"

Lois Wilson, fundadora do AA

domingo, 26 de maio de 2013

Pertencer - Clarice Lispector


Belo texto de Clarice, sobre o sentimento de pertença.

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus. Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma.
E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado.
Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
(Clarice Lispector)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fui Sabendo de Mim - Mia Couto



Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

domingo, 7 de abril de 2013

A arte de não adoecer - Dráuzio Varella


Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisão"
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.


Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.


Se não quiser adoecer - "Confie"

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.


Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

Dr. Dráuzio Varella