segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Carl Gustav Jung



"Queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não experiências, mas nem mesmo percebemos que as certezas só podem surgir através das dúvidas e os resultados somente através das experiências."
(Carl Jung)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Guardar - Antonío Cicero



Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

domingo, 9 de setembro de 2012

A poética do Suicídio de Sylvia Plath




ISBN: 8570413688
ISBN-13: 9788570413680
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2003
Número de páginas: 312


SINOPSE: Em fevereiro de 1963, aos 30 anos de idade, a escritora americana Sylvia Plath se suicidou em Londres, onde morava com seus dois filhos, poucos meses depois de ter se separado de seu marido, o poeta inglês Ted Hughes. A morte de Plath aconteceu em meio a uma intensa produção poética, que haveria de incluí-la, por fim, entre as autoras mais importantes do século XX. Uma abordagem psicanalítica da obra da escritora revelará elementos que nos permitem reconhecer uma espécie de toxidez da escrita. Este aspecto aponta a presença de impulsos destrutivos que operam no interior do processo criativo. Na articulação entre vida, obra e morte, este livro procura ressaltar os modos pelos quais esses impulsos relacionam-se aos limites da escrita literária em sua dupla face funcional e disfuncional.

A psicanalista Eliana Borges Pereira Leite, no texto Escrita de risco, poesia de abismo cometa sobre o livro: Além de fornecer ao leitor, na primeira parte de seu livro, os dados mais importantes sobre a vida de Sylvia Plath, Ana Cecília Carvalho descreve e analisa o modo de produção que será a marca registrada da sua poesia, sua poética autobiográfica. Inicialmente influenciada pelo New Criticism – movimento que exigia do autor o distanciamento das suas próprias experiências e que valorizava a impessoalidade –, Plath precisou ultrapassar suas primeiras convicções para assumir uma escrita cuja força estava justamente na captação poética e na transformação das suas experiências cotidianas, das mais simples às mais complexas ou sofridas, em matéria-prima dos seus romances e poemas. A relação problemática com a mãe, o conturbado casamento com o escritor Ted Hughes e as angústias relativas ao seu projeto literário se expressam de diferentes maneiras em cartas e diários. Parcialmente publicados após sua morte, esses documentos pessoais dão a conhecer um árduo trabalho de ficcionalização da experiência, revelando o esforço de representação inerente à busca de uma forma poética que, sem se tornar confessional, desse o contorno adequado e a versão literária ao seu mundo emocional. A determinação de Sylvia Plath fazia com que ela “não perdesse de vista que a complexidade da vida emocional requer uma preparação controlada e sempre atenta aos dispositivos da linguagem para que a efetividade literária possa ocorrer” (p. 42).

Para finalizar, PALAVRAS e OLMO de Sylvia Plath:


PALAVRAS

Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.
A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro
Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.
 
OLMO

Conheço o fundo, diz ela. Cheguei lá com a minha raiz maior:

É disso que tu tens medo.

Mas eu não tenho medo: já lá estive.


É o mar o que houves em mim,

As suas insatisfações?

Ou a voz do nada que era a tua loucura?


O amor é uma sombra.

Como ficas prostrada e chorosa depois

Escuta: são os cascos dele: desapareceu como um cavalo.


Toda a noite vou galopar, assim, impetuosamente,

Até que a tua cabeça fique uma pedra e a tua almofada um pequeno monte de turfa,

Fazendo eco, fazendo eco.


Ou deverei eu trazer-te um som de venenos?

Agora é a chuva, este quase silêncio.

E este é o seu fruto: da cor metálica do arsénico.


Tenho sofrido a atrocidade dos crepúsculos.

Queimados até à raiz

Os filamentos vermelhos ardem, ficam espetados, mão de fios eléctricos.
Desfaço-me em bocados de caruma que voam em várias direcções.
Um vento tão violento
Não aguenta espectadores: tenho de gritar.

Também da lua ausente a piedade: havia de arrastar-me

Cruel, na sua esterilidade.
O seu esplendor ofusca-me. Ou talvez a tenha agarrado.

Vou deixá-la ir. Vou deixá-la ir

Diminuida e esvaziada, como após uma operação radical.
Como os teus sonhos maus me possuem e alimentam.

Sou habitada por um grito.

Noite após noite bate as asas
Procurando com as garras algo para amar.

Aterroriza-me esta coisa tenebrosa

Que dorme dentro de mim;
Todo o dia sinto o macio voltejar das suas penas, a sua malignidade.

As nuvens passam e dispersam-se.

Serão essas as faces do amor, esfumadas coisas que não se recuperam?
É por isto que perturbo o meu coração?

Sou incapaz de aprender mais.

O que é isto, este rosto
Tão assassino em seus tentáculos estranguladores?-

O seu ácido silvo de serpente.

Petrifica o desejo. Erros que isolam, essas falhas lentas
Que matam, e matam, e matam.


Sylvia Plath
Ariel, tradução de Maria Fernanda Borges, Relógio D'Água, 1996 


Ler na íntegra o texto Escrita de risco, poesia de abismo: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0101-31062010000100022&script=sci_arttext

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Homenagem Dia do Psicólogo 27 de agosto - aos colegas e pacientes

  

"O passado não é passível de mudança, mas a visão e a forma de lidarmos com o reflexo de nossa história no presente o é. Buscando novas significações recriamos nossa própria vida."
                                                                                                               (Ana MªAmorim )   
Hoje comemora-se o Dia do Psicólogo. Inicio este post com a frase acima, de minha autoria, porque  diz muito sobre nossa tarefa ao lado de cada novo paciente que vem a nosso encontro com suas angústias, dúvidas, desejos, ideais.
Quero parabenizar todos colegas e agradecer todos meus pacientes, pela troca, ensinamentos e coragem!


No dia 27 de agosto é comemorado no Brasil o Dia do Psicólogo. Nesta mesma data, no ano de 1964, a profissão foi regulamentada através da Lei 4.119/64.
Essa ciência nasceu da necessidade do homem de compreender a si mesmo em toda a sua complexidade enquanto indivíduo que se relaciona.
Através das técnicas de investigação da história pessoal, utilização de instrumentos de avaliação e de observação, busca estudar e entender todos os tipos de comportamento humano, manifesto e oculto; simples ou complexo; racional ou irracional; bem como a compreensão de sua natureza, os sentimentos e pensamentos.
A Psicologia é uma ciência que aborda o humano desde o seu ser cognitivo (consciente e inconsciente), social, político, comportamental, orgânico, bioquímico, etc. 
O psicólogo é um profissional de saúde de nível superior (Resolução CNS n.º 218/97) e como tal pode atuar na pesquisa, no diagnóstico, prognóstico, prevenção e tratamento de manifestações do humano, incluindo as patológicas (doenças). 

IMPORTANTE:

Ao procurar serviços em Psicologia exiga a "carteira de identidade profissional" (Lei Federal nº 5766/71) do seu psicólogo. Esse procedimento torna-se fundamental, pois há inúmeras pessoas sem formação em Psicologia que procuram se passar por esse profissional.


Símbolo da Psicologia

É 23a letra do alfabeto grego, nomeada psi e adotada em todos os países como representação da Psicologia.
As duas serpentes indicam os saberes (pluralidade) sobre essa ciência.
Os dois ramos de louros (parte inferior do símbolo) no mundo clássico significavam: glória, honra, orgulho, triunfo, vitória, laurel, pleito, homenagem.
A cor azul é designada para a faixa de formatura e a pedra lápis-lazúli para o anel de formatura.
O juramento: “Como psicólogo, eu me comprometo a colocar a minha profissão a serviço da sociedade brasileira, pautando meu trabalho nos princípios da qualidade técnica e do rigor ético. Por meio do meu exercício profissional, contribuirei para o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão na direção das demandas da sociedade, promovendo saúde e qualidade de vida de cada sujeito e de todos cidadãos e instituições”
(resolução CFP N0 002/2006)


Contexto Histórico


Apesar de muitos filósofos e pensadores terem se ocupado da mente humana em seus estudos, foi apenas no século XVI que apareceu pela primeira vez o termo psicologia, quando o humanista croata Marco Marulik publica A psicologia do pensamento humano.
Ainda assim, um conceito de psicologia, tal como conhecemos hoje, só veio surgir no século XIX, através das formulações de Wilhelm Wundt que, em 1879, criou o primeiro laboratório de psicologia, em Leipzig , na Alemanha. Suas idéias, porém estavam ainda muito atreladas a conceitos fisiológicos e não avançaram muito.
A palavra psicologia deriva do grego e significa psyche (alma/mente) + logos (estudo/sentido/palavra) ou Ciência da Alma, sua definição mais antiga.
Atualmente a definição da psicologia mudou. Cabe ao psicólogo "estudar os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção".
O objeto de estudo do psicólogo é o comportamento humano e o seu principal objetivo é compreender o homem.
Apesar desse intuito dessa compreensão não ser uma característica somente do profissional de psicologia, haja vista que a antropólogia, a sociologia e a economia buscam a mesma compreensão com ênfase nos grupos e sociedades, esta se fixa no indivíduo e sua complexidade, ou seja, o psicólogo estuda o indivíduo como a unidade do grupo social.
Diversas escolas da psicologia foram se desenvolvendo: behaviorismo, psicanálise, Gestalt, desenvolvimentista, humanismo. Cada uma dessas escolas tem uma perspectiva diferente de estudo da psicologia: para os behavioristas é o comportamento, para os psicanalistas é a alma através do inconsciente, para os Gestaltistas, é o homem por meio de sua percepção; e, para os desenvolvimentistas, a relação desenvolvimento / aprendizagem.
Cada escola aborda o “eu” conforme sua ótica, mas todas se empenham em tratar os conflitos, as angústias e o equilíbrio emocional do indivíduo.
Cabe ao psicólogo com os seus recursos técnicos, compreender aquilo que muitas vezes não compreendemos e, compreendendo-nos, desvelar e reforçar o nosso eu verdadeiro.
Todo psicólogo deve ser capaz de transmitir amor, segurança, equilíbrio utilizando-se da técnica e da riqueza de sua própria personalidade sem perder o consenso e a ética. Deve ter o coração e a mente abertos às verdades com que se depara em seus caminhos promovendo na humildade o crescimento de si mesmo e do outro.

Fontes:
Geocities - www.geocities.com.br
Portal Sáude  -  www.portalsaude.net
Portal Transparência Porto Alegre - www2.portoalegre.rs.gov.br

domingo, 19 de agosto de 2012

Auto-análise - Helena Kolody














Sob a intensa luz da cena
e na plateia em penumbra,
vivo e me observo a viver.

(De quem o amargo sorriso?
 Quem sonha uma outra vivência?)

Helena Kolody
de Tempo

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Como trabalha um psicanalista? J. D. Nasio

"É inegável que a análise produz efeitos curativos. Ou seja: a análise produz efeitos de diminuição, e até de desaparecimento do sofrimento do paciente. São efeitos que se produzem em momentos vários do tratamento, às vezes depressa demais, desde as primeiras entrevistas, às vezes tardiamente, bem depois do término do tratamento e enfim, raramente - pelo menos na minha experiência - por ocasião das últimas sessões.
Assim, devo admitir imediatamente que tais efeitos existem e são um dos resultados maiores que possamos esperar de uma análise. Até acrescento: creio firmemente que todo analista, quaisquer que sejam sua formação e sua orientação, tem uma responsabilidade, quase um dever ao qual não se pode subtrair, isto é, esperar - digo ´esperar` - uma melhora nas posições subjetivas e objetivas do seu analisando."

J. -D. Nasio - Como trabalha um psicanalista?

domingo, 12 de agosto de 2012

A Pele



O psicanalista Donald D. Winnicott é conhecido por muitos de seus conceitos, entre eles pelo estudo profundo da criatividade e da espontaneidade.
O bebê chega ao mundo e é um ser único, se a mãe consegue se identificar com ele e respeitar seus ritmos e forma de ser abre-se à possibilidade da espontaneidade. O bebê acredita que cria seu mundo. Mas nem sempre tudo corre bem, as invasões maternas e depois do meio podem “esmagar” o self (si mesmo) e este fica protegido pelo falso self, a máscara que pode ser exibida socialmente sem colocar o precioso verdadeiro si mesmo em perigo.
Infelizmente a vida da pessoa pode se transformar numa farsa para ela mesma e ela confunde-se com o próprio “personagem” que criou, mantendo dentro de si uma insatisfação, ás vezes, inexplicável para ela mesma.
É o que ocorre com a personagem Diane Arbus (Nicole Kidman) no filme A Pele (2006).
Antes de prosseguir é interessante pontuar que no inicio do filme o diretor Steven Shainberg (Secretária – 2003) avisa que se trata de uma história fictícia criada a partir da biografia da escritora Patrícia Bosworth (também produtora do filme). Tal informação provavelmente tem como intuito deixá-lo livre de possíveis cobranças de fazer um retrato fiel de Diane. Porém sua fantasiosa versão para o mundo da fotografa não agradou a crítica americana. É fácil compreender ao ver o filme que é para poucas pessoas sensíveis que podem captar o significado do aprisionamento de Diane e sua libertação.
Compreendemos através da psicanálise winnicottiana que a pessoa vive através do falso self, mas procura a realização do seu verdadeiro self. Tal busca pode se dar de diversas formas, bem como o encontro. Para Diane foi através do encontro e apaixonamento recíproco pelo vizinho Lionel (Robert Downey). Ele é portador de uma doença rara que o faz ter pêlos por todo o corpo, que crescem sem cessar.
Ambos revelam-se aos poucos, revelações profundas, é a atração é inevitável.
Lionel propicia que Diane traga á luz seu verdadeiro self. Deixa a vida anterior que tinha, de assistente de fotografia publicitária do marido e torne-se fotografa.
É ainda, para quem pode ver com os “olhos da alma”, uma linda e trágica história de amor, um amor que não pode seguir, mas deixa marcas profundas e inesquecíveis para Diane e espero para muitos que assistem ao filme.
É um exemplo de realização, de ultrapassar limites, de ter coragem apenas de viver, seja, até o limite.
Minha dica, não percam!
Para completar, quem quiser saber mais pesquise a vida de Diane Arbus (1923-1971) que se tornou uma das mais importantes fotógrafas americanas. Retratista tinha como alvo, o que a sociedade considerava fora dos padrões estéticos. Seus protagonistas viviam no gueto, á margem, e a preocupação de Diane era justamente retratar o que havia de verdadeiro por trás das máscaras, suas dores, angústias, frustrações.


Anna Amorim, 2009

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Valor da Vida - Entrevista com Freud

Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português.

Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.
Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.
Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.
Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.

S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.
Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.
Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.
- Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?

George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.
S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais.
A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.


George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?
S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.

Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.

S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.

George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?
S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?
S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?

George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?
S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma.
Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.
Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.
- É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.
Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.
Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.
A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.
No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.
Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.
S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.
Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.
Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.

Estava ficando frio no jardim.
Prosseguimos a conversa no gabinete.
Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.

George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?
S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.

George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?
S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?
S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.
Minha filha também é psicanalista, como você vê…
Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxonicas.

George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?
S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros.
O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.

George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.
S. Freud: Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.
Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Una herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.
Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.
Fiquei algo desapontado com esta observação.
Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.
Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,
Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!
Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força.
 
Tradução de Paulo Cesar Souza – 20 de abril de 2010

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Liberdade é Azul


Perda, dor, luto. Temas dos quais procuramos distância, mas que assaltam quando nos visitam inesperadamente.
Um acidente, uma mulher acorda no leito de um hospital. Primeira tentativa a procura da própria morte. Diante da perda da filha e do marido, mas sobrevive e terá que enfrentar a dor da ausência. Antes procura livrar-se de tudo que possa remeter a vida anterior ao acidente. Julie (Juliette Binoche) ao sair de sua convalescença decide vender as propriedades, os móveis, desprender-se das lembranças. Depara-se com um pirulito da filhinha na bolsa que engole desesperadamente na tentativa que aquele objeto desapareça, mas a dor não desaparece, acompanha.
Como apagar a lembrança do amor compartilhado, a lembrança da filha? Recordações que tecem a sua vida.
O filme trata da verdade da nossa impotência. Seja a morte ou o abandono, nos deparamos com a barreira intransponível diante da fatalidade ou do desejo do outro, mas é nesses caminhos que podemos nos re-encontrar, uma vez que sem os sustentáculos imaginários fornecidos por um outro, encontramos-nos desnudos em nossa essência.
Uma supresa revela , nem tudo em que acreditava era verdade. Enganara-se, enganara outros e fora enganada. Uma sinfonia inacabada na qual ela e o marido trabalhava antes do acidente reverberará em seus ouvidos insistentemente.
Faz sexo com o homem que sempre estivera apaixonado por ela e lhe diz: “Agora sabe sou uma mulher comum, tusso, tenho cáries." Ela busca agora a verdade.
Sozinha sente o sabor do sorvete com café, em outro momento deixa que os raios solares do inverno aqueçam seu rosto, a pele branca, pequenos prazeres, volta assim a vida lenta, real, não nega mais quem é. Volta a ser. Apenas SER.

Anna Amorim, 2010

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tristeza, solidão e carência podem levar à compulsão por comida

Eventualmente, todo mundo se acaba de comer em uma churrascaria, na ceia de Natal, em um almoço de domingo com a família. Comer além do necessário e ficar com aquela sensação de estômago estufado acontece. Porém, se devorar alimentos em maior quantidade do que o normal for frequente e vier associado a sentimentos de culpa, atenção. "Pode ser baixa autoestima e dificuldade de lidar com questões difíceis, como frustrações, críticas e mágoas", afirma a psiquiatra e terapeuta de família Liliane Kijner Kern, do Programa de Atenção a Transtornos Alimentares da Unifesp.
Emoções negativas também podem nos levar a atacar geladeira. "Geralmente, são sensações como tristeza, abandono e carência afetiva", diz o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HC (Hospital das Clínicas). O médico também culpa as dietas muito rígidas por alguns episódios de ataques furiosos à comida. "É o caso, por exemplo, de quem fica dois meses sem comer doces e, ao ver um bolo na padaria, compra e o come inteiro. Essa pessoa está doente? Não. Isoladamente, isso não é problema médico. Mas não é o ideal em termos comportamentais", declara o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do HC. 
Mas há outros sentimentos ruins que resultam no desejo incontrolável de mastigar todo alimento que vemos pela frente. "Ansiedade, estresse e depressão podem detonar um daqueles momentos em que comemos demais. Nesses casos, é como se fossem confundidas as emoções com a fome, e se tenta atenuá-las comendo, o que poderá se tornar um círculo vicioso", explica Marco Antonio De Tommaso, psicólogo e psicoterapeuta especializado em transtornos alimentares e emagrecimento.
Mas o contrário também pode acontecer: comer demais por estar muito bem. "As pessoas confundem alimentação com sentimentos e emoções. Podem comer aquele mesmo bolo inteiro porque estão felizes. Alimento não é para se premiar nem martirizar. É algo de que nosso organismo precisa", declara Salzano, que critica dietas muito restritivas. "Nada tem de ser proibido. Não é errado comer doces. Depende da proporção na alimentação", afirma o médico. 
É muito comum buscarmos a sensação de conforto na comida. "Ela pode suprir um lado nosso que está meio capenga", diz a psiquiatra Liliane, que aconselha a observação do comportamento. "Se for algo eventual, tudo bem. Mas, caso sentar-se na frente da TV e desandar a comer se torne um hábito, é bom questionar se a comida não é apenas um meio de afogar as mágoas."
Quando comer demais é um transtorno
É muito importante dar atenção à frequência e sentimentos que aparecem após os episódios de comilança. Eles podem sinalizar algo mais grave.  O psicólogo Marco Antonio De Tommaso costuma atender modelos em seu consultório. Algumas dessas jovens perceberam nessas situações um problema. "A imprevisibilidade do meio em que vivem estimula a ansiedade. Muitas mudaram de cidade ou estado, estão distantes da família, sofrem pressão para emagrecer. Algumas se submetem a dietas malucas e não aguentam. Muitas podem começar, a partir daí, a ter o transtorno alimentar", declara o psicoterapeuta.
Esses casos já se enquadram no Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). Os indivíduos com esse problema comem exageradamente ao longo do dia, com sentimento de descontrole, culpa e vergonha por ingerir tanta comida de uma vez. "Se isso acontece pelo menos duas vezes por semana e por um período de seis meses seguidos, já é um transtorno médico", afirma Salzano. No caso do TCAP, a pessoa não faz nada para compensar os exageros --diferentemente da bulimia, em que as vítimas provocam vômitos, usam laxantes e fazem exercícios à exaustão. 
O psiquiatra Fábio Salzano concorda que uma dieta restritiva pode ser o gatilho para o problema. "Mas se vier acompanhada de sentimentos negativos como ansiedade, depressão e a pessoa tiver predisposição genética. Além disso, há questões biológicas que podem estar influenciando também. É multifatorial", diz Salzano. A psiquiatra Liliane Kern acrescenta outras características presentes em quem sofre desse mal: "Essas pessoas costumam ter dificuldade de controlar os impulsos, grande insatisfação com relação ao peso, baixa autoestima e viveram o efeito sanfona no decorrer da vida".






sexta-feira, 13 de julho de 2012

QUAL DIFERENÇA ENTRE O TRABALHO DO PSICÓLOGO, PSIQUIATRA E PSICANALISTA?

As atuações das três profissões “psis”.

O termo “psi”, bastante utilizado pelas pessoas, muitas vezes pode ser permeado de confusão quanto aos significados, principalmente quando se refere aos profissionais indicados por este termo: psiquiatra, psicólogo ou psicanalista.

O psiquiatra é um profissional da medicina que após ter concluído sua formação, opta pela especialização em psiquiatria. Esta é realizada em 2 ou 3 anos e abrange estudos em neurologia, psicofarmacologia e treinamento específico para diferentes modalidades de atendimento, tendo por objetivo tratar as doenças mentais. Ele é apto a prescrever medicamentos, habilidade não designada ao psicólogo. Em alguns casos, a psicoterapia e o tratamento psiquiátrico devem ser aliados.

O psicólogo tem formação superior em psicologia, ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. O curso tem duração de 4 anos para o bacharelado e licenciatura e 5 anos para obtenção do título de psicólogo. No decorrer do curso a teoria é complementada por estágios supervisionados que habilitam o psicólogo a realizar psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação, entre outras. Pode atuar no campo da psicologia clínica, escolar, social, do trabalho, entre outras.

O profissional pode optar por um curso de formação em uma abordagem teórica, como a gestalt-terapia, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental.

O psicanalista é o profissional que possui uma formação em psicanálise, método terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud, que consiste na interpretação dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de uma pessoa, baseada nas associações livres e na transferência. Segundo a instituição formadora, o psicanalista pode ter formação em diferentes áreas de ensino superior.

Por Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pra sempre namorados


Por Talita Alencar
Os tempos são outros. Tudo está mais próximo, ao alcance das mãos de qualquer um, e mesmo hoje, com tanta facilidade dando sopa por ai, há quem diga que se relacionar esta cada vez mais difícil. Mas quando falamos de relacionamentos, não existe nada melhor e mais antigo do que namorar.
Nos anos 50, o mais comum era que o casal ficasse mesmo “a sós” após o casamento. A modernidade facilitou muito as coisas, porém todos os dias surgem novas formas de se relacionar. Com o namoro não poderia ser diferente.

O caso de Marli Rosa do Studio D’Marthani Hair Visage e do seu atual marido Messias Souza Pereira é uma verdadeira história de amor moderna. O casal se conhece há 17 anos, e estão juntos a 15. Há cinco anos, decidiram ir morar juntos, mas sentiram que estava faltando algo para abençoar e consumar mais o amor, por isso, recentemente decidiram se casar.

O que faz o perfil deles ser diferente do casal moderno? “Nós fizemos um ‘test-drive’, e acabamos descobrindo que agente se ama muito mais do que imaginávamos, talvez se nós tivéssemos casados antes, não teria dado tão certo quanto está dando agora, por esse motivo o namoro é importante” afirma Marli.
Assim como explicou Marli, o namoro mais longo os fez enxergar muitas coisas antes de realmente consumarem a união com o casamento. “No período de namoro você aprende a conhecer o seu parceiro, a entender, a compartilhar. O amor deve se trazido do namoro para o casamento.” Indica.

O mais interessante do namoro dos dias de hoje, é que cada vez mais os casais estão namorando por mais tempo, com o intuito de tirar proveito dessa fase de conhecimento e realizações. “O namoro hoje ganha diversas configurações, e não necessariamente é um estado civil de quem irá noivar e casar. No caso de parceiros maduros, por exemplo, oriundos de relação de casamento anteriores, muitas vezes o desejo não é por uma segunda reunião estável que inclua morar junto, dividir, cama, mesa e banho, o que não exclui o desejo de amar e ser amado, dividir prazeres e mazelas da vida.” Explica a psicóloga, psicanalista e escritora Ana Maria Amorim de Farias.

Mesmo com o passar do tempo, o namoro continua sendo a forma mais funcional de se relacionar. Prova de que namorar não tem limites e nem idade, é o casal Buzaid Algouz e Julieta Kauich Algouz. Conhecidos pela história no Seicho-No-Ie Penha e casados há 64 anos, eles contam como manter esse “namoro” por tanto tempo. “A vida é um eterno aprendizado e quando a alegria, o companheirismo e a fé em Deus estão ao nosso lado, partilhamos o nascimento e crescimento dos filhos, e assim a vinda de netos e bisnetos.”
Quando estamos namorando estabelecemos uma relação de comprometimento com a outra pessoa, por isso é importante que ele exista. É no namoro que se descobre um ao outro, sem dúvidas é um período mágico da união. 

"Poder dizer meu namorado ou minha namorada é uma forma de revelar ao mundo que estamos enamorados, que alguém é importante para nós, ainda que isso não inclua um contrato social. E neste sentido o termo namoro é importante não como estado civil, mas como uma declaração ao meu amor, e ao mundo, do meu amor.” Completa a psicóloga.

Até o solteiro mais convicto de todos, fica um pouco mexido na época de Dia dos Namorados, e lá no fundo, mesmo negando, busca sua alma gêmea. Boa parte dos solteiros encara o namoro como uma troca de necessidades. O que é errado já que namoro é muito mais que uma forma de se comportar, é na verdade um estado de espirito entre um casal.

Falam que o fim do namoro é o casamento, mas pelo contrário, o namoro não tem fim. O namoro é a magia do relacionamento e após casar não se deve perder isso. “Para ter um bom casamento não pode deixar de namorar nunca, que nunca acabe esse namoro entre os casais.” completa Marli.

O segredo para manter um namoro eterno? Senhor Buzaid dá a dica “Acordar e dormir juntos, sair pelas ruas de mãos dadas, amar e respeitar um ao outro vendo a essência de cada um, faz de nos eternos namorados”.
Na vida a dois a eternidade é possível sim, já dizia nosso poeta Vinicius de Moraes, “que seja infinito enquanto dure”.

Talita de Alencar