quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Infidelidade: Quem ama trai?- Ana Elizabeth Diniz

Até mesmo os especialistas em comportamento humano e sexólogos têm dificuldade em conceituar a infidelidade porque ela esbarra naquilo que nos individualiza, como nossa carga emocional, história de vida, dificuldades, limitações, angústias e querências as mais diversas, algumas até patológicas. 
A infidelidade requer uma visão tridimensional, "a da pessoa traída, a que trai e a terceira pessoa. Ela pressupõe a quebra do pacto de exclusividade na relação amorosa e gera sofrimento por ter que dividir o companheiro com outro alguém", afirma Clara Feldman, psicóloga, e autora dos livros "Sobre-vivendo à traição", "De Paixão e Cegueira" e "Encontro, uma Abordagem Humanista". Motivações não faltam para explicar a infidelidade. "Alguns argumentam que a qualidade do relacionamento não está boa, que se sentem insatisfeitos com a relação, outros porque apresentam a ‘síndrome do pavão’, aquele que seduz pelo simples fato de seduzir e depois abandona a pessoa. 

Esse tipo sente prazer com a traição e faz isso por necessidade de autoafirmação e pode chegar às raias do patológico. Um último grupo tem necessidade sexual compulsiva, gosta da adrenalina, do risco, inclusive de morte", enumera a especialista. Quem ama trai? "Trai, e muitas vezes não por razões ligadas ao relacionamento, que pode ser extremamente satisfatório, existir um sentimento de amor recíproco, intensidade na relação, mas mesmo assim, há espaço para a traição", diz Feldman. Mas no universo das traições existe espaço ainda para aquele tipo que só se sente seguro com a insegurança do outro. "O indivíduo trai e deixa sinais para que o outro perceba e se sinta inseguro em relação ao seu próprio valor. Ele trai com medo do outro traí-lo primeiro. Com isso o outro perde o foco em si e passa a se relacionar com aquilo que o outro quer que ele sinta. 

E vira uma relação doentia", diz a psicóloga. Regras Não existem regras sobre quem trai mais, se o homem ou a mulher, mas "uma coisa é fato, o homem trai mais por razões ligadas à necessidade e a mulher quando se sente subnutrida amorosamente, quando o companheiro se torna agressivo, mal humorado e mantém atitudes depreciativas em relação à ela. Culturalmente o homem sente necessidade de afirmar a sua masculinidade, de se mostrar viril para os amigos, mostrar que transa com muitas mulheres diferentes. Questão de vaidade", enfatiza Feldman. 

 A psicóloga cita o que chama de ética da traição. Aconselha a Bíblia a "não pecar por pensamentos, palavras, atos e omissões. Existem pessoas que se sentem traídas só quando existe sexo e outras com olhares. Mas quem cerceia a liberdade do outro corre mais riscos de ser traído. A pergunta é: em uma relação bem estruturada onde o diálogo permeia a relação, qual o dano que a traição por palavras, pensamento e omissões pode trazer?" questiona. Há dez anos, o sexólogo europeu Willy Passini pesquisou mais de mil mulheres e homens, perguntando o que eles preferiam: que seu parceiro transasse com ele pensando em outro ou transasse com outro pensando nele Resultado: Homens preferiam que as companheiras transassem com eles pensando em outro homem e as mulheres preferiam que seus parceiros transassem com outras pensando nelas Infidelidade é um conceito abstrato. 

“Tive oportunidade de atender pessoas que se confessavam voyer. Eram perversas porque sentiam prazer em ver o seu companheiro transando com outras pessoas, mas quando ele se envolviam e não contava para o parceiro, abalava a relação. Naquele momento se configurava o conceito de traição”, diz o sexólogo Gerson Lopes. Hoje existe infidelidade virtual. 

Homens e mulheres que até fazem sexo pela Internet. “Nesse caso há infidelidade ou não? Além de ser polêmica no conjunto, ela é polêmica no conceito”, afirma o sexólogo. Tem infiel de todo jeito. “Uns são eternos conquistadores e não sustentam uma relação. A atração é mais forte que o envolvimento. Em uma relação saudável, ambos, passada a fase da paixão, terão que conviver com o lado escuro do outro”, diz o sexólogo. 
E nessa hora, vem o perigo. “As pessoas se envolvem com o ser idealizado, a ponto de transformá-lo em príncipe ou princesa. Quando descobrem o sapo ou a rã, acontece a desidealização. É quando a relação pode crescer”, pontua Lopes. 

Ana Elizabeth Diniz

5 comentários:

  1. magnifico, não sei como me encontrou, mas amei seu blog, sobre tudo esse post! Acho esse tema tão importante, que consome tantas vidas, que gera tantas inseguranças, que não disserto muito sobre ele em rodas de amigos, ja ouvi que sou moderno de mais por tratar desse assunto de uma forma assim, mais contingente!

    vou compartilhar esse post no facebook!
    quero virar seu leitor!
    beijos
    Artur César!

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  2. Eu penso sempre que, quem ama de verdade não tem coragem de trair....beijos de bom dia pra ti querida.

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  3. Um final de semana cheio de paz e muita poesia pra ti minha amiga querida...beijos.

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  4. Artur,

    Te encontrei navegando pelos mares virtuais da literatura.
    É sempre gratificante termos o feedback do outro.
    O tema exposto é delicado. Concordo com você que consome tantas vidas, gera inseguranças e dor. Por isso escolhi um texto que trata dele com clareza. Fico satisfeita com teu retorno e que irá transmitir para outros olhares.

    Beijos,

    Anna Amorim

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  5. Everson,

    Você é um eterno romântico! Na verdade, o amor não trai, mas podemos nos trair ainda que amando.
    O amor abarca ambiguidade próprias do humano falho que somos.

    Beijos e ótimo final de semana para você

    Anna Amorim

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