domingo, 19 de novembro de 2017

EU IDEAL

"Inicialmente há uma relação narcísica fusional entre a criança e a mãe, não havendo, por parte da criança, distinção entre o si e o outro. Nesse momento, a criança se constitui como objeto capaz de satisfazer o desejo da mãe, identificando-se imaginariamente com o falo. Entretanto essa relação porta uma alienação fundamental para o bebê, tomado como objeto, que faz surgir a agressividade fundamental como tentativa de romper esta relação na qual o bebê se encontra capturado pelo desejo do outro. A tentativa de romper essa alienação é situada como desejo de reconhecimento. Nesse primeiro tempo, a criança está na dialética do ser ou não ser o falo, objeto do desejo para a mãe. Aí se colocam dois pontos: o eu e esse outro (imagem ideal) formada do lado de fora, aquilo com que a criança busca se identificar para satisfazer a mãe. Ora, estamos aqui no campo do Eu Ideal, em que a criança acredita que, para satisfazer a mãe, precisa identificar-se com aquilo que lhe falta: o falo. Assim todas as identificações presentes nesse momento do narcisismo primário remeterão à onipotência e à perfeição."
(Diagnostico Psicanalítico: Entendendo a Estrutura da Personalidade no Processo Clínico. Nancy MacWilliams)

domingo, 15 de outubro de 2017

Psicanálises

Além da pulsão, da psicologia do ego, das relações de objeto, das orientações relacionais e do self, há diversas outras teorias dentro do esquema psicanalítico que afetaram nossas conceitualizações do caráter. Elas incluem (mas não se resumem a) ideias de Jung, Adler e Rank; a “personalogia” de Murray (1938); a “psicanálise moderna” de Spotnitz (1976, 1985); a “teoria do script” de Tomkins (1995); a teoria do “melhoramento do controle” de Sampson e Weiss (Weiss, 1993); os modelos biológicos evolucionistas (p. ex., Slavin e Kriegman, 1990), a teoria contemporânea de gêneros (p. ex., A. Harris, 2008) e a obra de Jacques Lacan (Fink, 1999, 2007).... Não resisto a ressaltar minha previsão, na primeira edição deste livro, de que os psicanalistas logo iriam aplicar a teoria do caos (teoria do sistema geral não linear) às questões clínicas, uma profecia que tem se cumprido (Seligman, 2005).
 Nancy McWilliams

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Medo de Viver

"Lowen (1980) estabelece uma relação entre o medo de viver e o de morrer. Se a vida é ser, por que temos tanto medo dela? No relato dos casos que menciona em seu livro, observamos um paradoxo, ou seja, quando o indivíduo está mais cheio de vida, fica mais consciente da morte e do desejo de morrer. Viver plenamente com as emoções é se arriscar. Para não sofrer, a pessoa pode se "amortecer", não sentir mais, mas também não conseguirá viver. Segundo Lowen, toda tensão crônica no corpo decorre de um medo da vida, um medo de se soltar, um medo de ser. Quando o sujeito vai recuperando a sua vitalidade no processo psicoterápico, abre o caminho para o estado de dor que havia suprimido. Ativa-se o caminho da sensação de morte, mas também se está a caminho da vida."

(Morte E Desenvolvimento Humano,  Maria Júlia Kovács. Casa do psicologo, São paulo, 1992, p.26.)


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Diagnostico: de inconsciente a inconsciente

Crédito: Manuel Roberto/Divulgação
Crédito: Manuel Roberto/DivulgaçãoCrédito: Manuel Roberto/Divulgação
 "Na medida mesmo em que a formação do sintoma é tributária da palavra e da linguagem, o diagnóstico não pode deixar de se ver aí concernido. As referências diagnosticas estruturais advêm, então, num só registro. Não constituem, todavia, elementos confiáveis nesta avaliação diagnostica, senão à condição de se os poder desligar da identificação dos sintomas. A identidade de um sintoma nunca é senão um artefato a ser colocado por conta dos efeitos do inconsciente. A investigação diagnostica precisa, então, se prolongar aquém do sintoma, isto é, num espaço intersubjetivo, aquele que Freud definia como comunicação de inconsciente a inconsciente, com sua célebre metáfora telefônica."
(Joel Dor)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

RESUMO AULA: NEUROSE, PSICOSE E PERVERSÃO


Abaixo Resumo aula: Estruturas Clínicas para estudantes da área de saúde

A Psiquiatria Clássica considera que a doença mental tem origem dentro do organismo. Busca a explicação dos distúrbios do comportamento em uma possível disfunção ou anomalia da estrutura ou funcionamento cerebral. Nesse sentido, existem mapas cerebrais que localizam em cada área cerebral funções sensoriais, motoras, afetivas, de intelecção.  Nessa abordagem da doença, os quadros patológicos são exaustivamente descritos no sentido de quais distúrbios podem apresentar.

Para a Psicanálise, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza.
Todos nos humanos mediante a passagem pelo Complexo de Édipo e conforme somos atravessados pela falta e castração nos situamos dentro de uma determinada estrutura psíquica.

Estrutura psíquica é um modo de funcionamento diante da vida, de lidar com o próprio desejo e o desejo do outro, se relacionar com o mundo, com o que nos faz falta e o que nos motiva.

De uma forma simplificada, castração é um corte pelo qual todos nos humanos passamos ao nos defrontar com nosso desamparo fundamental, somos mortais, passiveis de adoecer, não podemos ser tudo ou ter tudo. Nem ser tudo para um outro nem ter um outro todo nosso. Nem jamais formamos UM.

Mas, o bebê quando nasceu não sabia disso, ele e a mãe-ambiente era um todo. Não havia barreiras entre ele e este grande Outro. Na verdade, não havia um EU. Este EU irá se constituir a partir desta relação primeira com a mãe-ambiente.
A mãe certamente não pode viver exclusivamente para seu bebê, este bebê não é um todo com a mãe e isso é fundamental.

Denominamos função materna a função de acolher e interpretar o bebê, a criança, o paciente, ela é exercida geralmente pela mãe no início da vida do bebê, mas é independe de sexo da pessoa que cuida e é uma função ligado ao cuidado-acolhedor.
Denominamos de função paterna a função da LEI, do NÃO, não se pode ser tudo, ter tudo. Esta função assim como a função materna dão contornos a nossa experiência psíquica.

A psique é estruturada de determinado modo. Cada estrutura exclui a possibilidade de outra.  A partir do Complexo de Édipo e da forma que a Função Materna e Função Paterna deram contorno a cada sujeito temos três grandes estruturas: Neurose, Psicose e Perversão. (ficou confuso isso).

NEUROSE: Origem da palavra: Neuron (grego): Nervos -  Osis : Anormalidade

Nas neuroses “os sintomas” (distúrbios do comportamento, das idéias ou dos sentimentos) são a expressão simbólica de um conflito psíquico. O principal mecanismo de defesa na neurose é o RECALQUE ou repressão.
As neuroses podem ser subdivididas em:

NEUROSE OBSESSIVA Na neurose obsessiva o que notamos mais frequentemente é a tentativa de organização, de organizar as coisas ao redor como evitar o contato com o que foi recalcado. O contato com a verdade seu desejo e da sua falta.
O sujeito que se estrutura na neurose obsessiva tende a atender as demandas do outro, da escola, do trabalho, do parceiro de vida, de forma a não ter que entrar em contato com seu próprio desejo, suas angustias e dificuldades mais profundas na relação consigo e com os demais.
Pode ocorrer sintomas como: comportamentos compulsivos, como por exemplo, lavar a mão com frequência não usual ou mania extrema com ordem/limpeza; ter ideias obsedantes, por exemplo, de que alguém pode estar perseguindo-o e, ao mesmo tempo, ocorre uma luta contra esses pensamentos e dúvidas quanto ao que faz ou fez.

NEUROSE HISTÉRICA— Notamos na pessoa que se estrutura dentro da neurose histérica uma queixa e busca incessante concomitante a um desejo constantemente. O desejo tem como referencial sempre o desejo do outro, estar na mira do desejo do outro.
Quando há sintomatologia mais frequentemente o conflito psíquico aparece nos sintomas corporais. Por exemplo, crise de choro com teatralidade, ou sintomas que se apresentam de modo duradouro, como a paralisia de um membro, a úlcera etc.
Compreendendo a neurose como uma estrutura podemos compreender os diferentes graus e manifestações dos comportamentos que trazem mais ou menos sofrimento para o individuo e aqueles que o cercam dependendo da historia infantil de cada um, os fatores de vida atual e o contexto cultural que perpassa cada pessoa. 
Quadros clínicos comuns à Neurose: Transtorno Obsessivo Compulsivo; Histeria; Transtornos Ansiosos; Transtornos Fóbicos; Pânico; Quadros Depressivos

PSICOSE- Na Psicose o mecanismo principal de defesa é a foraclusão (algo retorna de fora). Como vimos no inicio da vida bebê e o ambiente são indiferenciados, na psicose temos a formação o eu, mas em alguma medida um grau de indiferenciação permanece, ou seja, uma não separação eu-outro. Por exemplo, no autismo temos o horror do contato com o outro. Na paranóia o outro é um perseguidor por excelência, na esquizofrenia o ego e a realidade mais evidentemente aparecem borrados.
No surto psicótico a ruptura entre o ego e a realidade fica evidente e o ego fica sob domínio do dos impulsos, o que não foi recalcado volta desde fora (alucinações, delírios, criações de oura realidade paralela).

As psicoses subdividem-se em:

Paranóia — é uma psicose que se caracteriza por um delírio mais ou menos sistematizado, articulado sobre um ou vários temas. Não existe deterioração da capacidade intelectual. Aqui se incluem os delírios de perseguição, de grandeza.
Esquizofrenia — caracteriza-se por: afastamento da realidade —o indivíduo entra num processo de centramento em si mesmo, no seu mundo interior, ficando, progressivamente, entregue às próprias fantasias.
Mania e melancolia ou psicose maníaco-depressiva — caracteriza-se pela oscilação entre o estado de extrema euforia (mania) e estados depressivos (melancolia). Nos estados de depressão, o indivíduo pode negar-se ao contato com o outro, não se preocupa com cuidados pessoais (higiene, apresentação pessoal) e pode mesmo, em casos mais graves, buscar o suicídio. Na mania ocorre mania de grandeza e pode ocorrer delírios de ser uma pessoa de sucesso.

PERVERSÃO:  "O Negativo da Neurose!"

Filmes: Hannibal; O silencio dos inocentes; Temos que falar sobre Kevin

Na Psicanálise, a partir de 1896, o termo perversão foi adotado como conceito, que assim conservou a idéia de desvio sexual em relação a uma norma. 
Não obstante, nesta nova acepção, o novo conceito é desprovido de qualquer conotação pejorativa ou valorizadora e se inscreve, juntamente com a psicose e a neurose, numa estrutura clínica diagnóstica.

As pessoas estruturalmente perversas não se relacionam com o outro como uma pessoa inteira, percebendo a realidade psíquica desta outra pessoa. O perverso toma o outro como um objeto ou parte deste torna-se objeto fetiche. A finalidade do perverso é sempre sua satisfação sem considerar o outro.
Importante dizer que um perverso não tortura necessariamente sua vítima de forma física, mas pode subjugar sua visão de mundo.  Em diferentes graus cometem abusos de poder, coerção moral, chantagens e extorsões com muita facilidade.

Abaixo algumas características comuns:
·        Traços impulsivos, agressivos, hostis, extrovertidos;
·        São extremamente confiantes em si mesmos;
·        Baixos teores de ansiedade;
·        Ausência de sentimento de culpa ou remorso;
·        Narcísicos e vaidosos;
·        Atos e comportamentos antissociais;
·        Criadores de intrigas e conflito no meio em que se encontram;
·        Sexualmente ativos e pervertidos;
·        Indiferentes ao afeto ou reação do outro (dificuldade marcada na capacidade de empatia).

Infelizmente na contemporaneidade traços perversos têm sido “valorizados” – onde o esperto e o malandro que se dá bem é valorizado em detrimento do “certinho”, numa verdadeira inversão de valores e queda do que chamamos função paterna de LEI.
A falta de compromisso com o outro, a ausência de empatia e culpa são erroneamente e romanticamente confundidos como capacidade de liderança, pulso firme, poder  e influencia pessoal.

Filmes sugeridos:

Cisne negro / Uma Mente Brilhante / O número 23 / Um Estranho no Ninho  / Temos que falar sobre Kevin / Silêncio dos Inocentes / Melhor é impossível / O Aviador/ Bicho de Sete Cabeças

Séries:

Bates Motel


domingo, 9 de abril de 2017

Podemos mudar : Plasticidade do cérebro



No aspecto da filogenia há diversos estudos sendo desenvolvidos e que mostram o surgimento de um novo paradigma no campo genético: a interação entre o ambiente e os efeitos genéticos. Logo, o indivíduo pode, dependendo de adequada estimulação, ativar ou desativar genes específicos que facultam influências sobre o organismo para o desenvolvimento ou não de algum tipo de característica específica, positiva ou negativa para o sujeito.

Por essa perspectiva,

[...] a verdadeira estrutura genética das células pode mudar como resultado da aprendizagem se os genes que estiverem inativos ou dormentes interagirem com o ambiente de tal maneira que se tornam ativos. [...] o ambiente pode ativar certos genes. É possível que esse tipo de mecanismo leve a mudanças no número de receptores na extremidade de um neurônio, que, por sua vez, afetaria o funcionamento bioquímico do cérebro (BARLOW; DURAND, 2008).

TRANSTORNOS ALIMENTARES SOB A PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO, Bueno, Noleto Lohanna, Nascimento, Alves Nelson, Fragmentos de Cultura, Goiânia, v. 24, especial, p. 49-59, out. 2014.