segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Nutrição Comportamental

A relação que as pessoas têm com a comida vem se tornando cada vez mais complexa, você já percebeu? A clássica sensação de culpa após comer e a dificuldade para manter ou reduzir o peso são apenas algumas das consequências dessa conturbada relação.
Mas você já pensou que pode existir um meio para melhorar a relação dos seus pacientes com a comida sem causar tantos impactos negativos? É o caso da nutrição comportamental, que leva em consideração não apenas a comida, mas todo o comportamento relacionado a ela.
Pensando nos benefícios proporcionados pelo método, criamos esse post para ajudar você a melhorar a relação de muitas pessoas com a alimentação. Entenda melhor a seguir:

O que é a nutrição comportamental?

Apesar da grande quantidade de informações sobre alimentos e dietas, as pessoas continuam enxergando a comida como grande inimiga. A nutrição comportamental tem como objetivo mudar essa relação, fazendo com que as pessoas sintam prazer (e não culpa) em comer.
Esse método considera os aspectos emocionais, fisiológicos e sociais da alimentação. A mudança do comportamento alimentar proposta pelo método envolve estratégias de aconselhamento nutricional, técnicas do comer intuitivo, terapia cognitivo-comportamental, entrevista motivacional e táticas para comer com atenção plena.

Como ocorre a perda de peso?

Como o foco principal da nutrição comportamental é resgatar o prazer em comer, tornando a relação com o alimento mais saudável, a perda de peso não é tão imediata como acontece com algumas dietas. No entanto, isso está longe de significar que ela seja inexistente.
Os números diminuindo na balança passam a ser uma consequência do autoconhecimento. A pessoa passa a aprender a identificar suas emoções e a não buscar consolo nos alimentos, como acontece quando o estresse e a ansiedade tomam conta da rotina. Essa atitude está diretamente ligada com a perda de peso — ou seja, ela é consequência de uma série de comportamentos.
Isso pode parecer um ponto negativo, mas a permanência desses aprendizados pode ser a peça chave para conquistar os seus pacientes. Basta mostrar que não é preciso cortar nada da alimentação, apenas fazer escolhas certas nos momentos certos, respeitando as necessidades e as reações do corpo.  

Como adotar o método?

Por não se basear em dietas, a melhor forma de utilizar essa estratégia para ajudar os pacientes é através da orientação nutricional e da comunicação. O propósito aqui é entender a relação que o paciente tem com o alimento para, a partir disso, estabelecer uma orientação que vá funcionar para ele.
Perguntar ao paciente suas principais dificuldades, as experiências e o quão preparado ele está para mudar sua relação com a comida são boas formas de começar a entender como o paciente lida com o alimento, as emoções e as diversas situações do dia a dia.
A partir das respostas obtidas, dá-se início ao trabalho por meio de dois pilares da nutrição comportamental: a prática clínica e a comunicação.

A prática clínica

Nessa prática, acontece uma abordagem defendendo a real importância de entender como se come e não o que se come. Ou seja, mostrar que o foco é entender as relações envolvidas no ato de se alimentar ao invés de apenas contar calorias. Onde se come, quando, com quem, qual o sentimento, quais as dificuldades: é esse tipo de autoconhecimento que deve ser estimulado e compreendido.
Além disso, esse é o momento para fazer a orientação nutricional, baseada em estratégias que possibilitem a mudança do comportamento e também a melhora na relação com a comida.

A comunicação

Esse será o momento de informar, estimular a aceitação da alimentação saudável e também de influenciar o seu paciente. Isso pode ser feito através de mensagens positivas e ponderadas, as quais devem ser baseadas em estratégias comportamentais para terem efeito.  

Quem pode se beneficiar com a nutrição comportamental?

Não há restrições na nutrição comportamental. Afinal, estabelecer um vínculo saudável com a comida é uma excelente forma de começar a melhorar a alimentação em qualquer faixa etária.
Tal melhora é sucedida por escolhas inteligentes feitas não por obrigação ou devido a dietas restritivas, e sim ao conhecer o próprio corpo e suas necessidades.
Pessoas que não conseguem colocar dietas em prática ou que não conseguem se organizar para estabelecer uma alimentação saudável costumam ter bons resultados com esse método, pois passam a compreender a sua relação com a comida, o que facilita a mudança. Na maioria das vezes, é apenas isso que falta para essas pessoas se tornarem mais saudáveis.

Como o método pode melhorar a relação das pessoas com a alimentação?

Cada vez mais surgem dietas ou “tendências” que colocam um ou outro alimento na posição de saudável ou não saudável. O comportamento desencadeado por essa forma de se alimentar passa a transformar a comida em vilã, já que as pessoas passam a enxergar a comida como um conjunto de calorias, conturbando a relação com o alimento.
Dessa forma, o prazer de comer desaparece e dá lugar a uma geração de pessoas que esquecem que o problema não é o alimento, mas a relação que se estabelece com ele. E é justamente esse o ponto que a nutrição comportamental destaca.
Através de técnicas que ajudam a pessoa a entender os sinais do corpo, a reconhecer a fome, a ansiedade e inúmeros outros aspectos emocionais, sociais e fisiológicos o método faz as pessoas entenderem a real função do alimento no organismo. É dessa forma que o vínculo saudável com a comida se restabelece e o prazer em comer volta a fazer parte da rotina.
Em tempos onde os alimentos são divididos em saudáveis e não saudáveis e a comida é vista como inimiga, conhecer um método como a nutrição comportamental — que restabelece uma relação benéfica e prazerosa com o alimento — é um diferencial. Afinal, a satisfação não pode ser desconsiderada de um processo tão essencial e frequente como a alimentação.
O que você achou da nutrição comportamental? Acha que vai ser útil para seus pacientes? Compartilhe o post nas suas redes sociais e ajude outras pessoas a conhecerem esse método inovador que melhora a relação das pessoas com os alimentos!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pode ocorrer delírio e alucinação na neurose?


Nada impede que, logo após o surgimento de uma alucinação, se instale um sintoma neurótico e vice-versa. É isso precisamente que Freud diz: “As três formas de defesa e, por conseguinte, as três formas de doença a que essas defesas levam, podem estar reunidas numa mesma pessoa.” E ainda: “Não é raro que uma psicose de defesa venha episodicamente interromper o curso de uma neurose.”É espantoso que essa constatação clínica, banal no fim das contas, frequentemente assinalada por Freud e corroborada incessantemente em nossa prática, ainda não tenha conseguido extirpar definitivamente o erro de generalizar um episódio psicótico para o conjunto das realidades do sujeito. Um paciente alucina ou delira e, irremediavelmente, sem qualquer discriminação, é qualificado de psicótico; como se fosse um tique mental do clínico, determinado pela imensa importância dada à psicose. Importância enceguecedora que não nos deixa matizar nem pensar uma compatibilidade de acontecimento, em uma mesma pessoa, de realidades mistas, produzidas por recalcamento e por foraclusão. Apesar de alguns textos freudianos e lacanianos apontarem nessa direção, carecemos de uma teoria da localidade dos distúrbios e da pluralidade das realidades que tenha “pego” em nossa comunidade psicanalítica. Não é que esteja ausente, prova disso é que estamos tentando propô-la; mas essa teoria da localidade não transpôs o limiar que transforma um conceito teórico no que eu chamaria de automatismo conceitual fecundo. E não o fará enquanto outro automatismo conceitual, infecundo dessa vez, prevalecer entre os psicanalistas, aquele que consiste em apreender a castração como única e, consequentemente, prejulgar que sua foraclusão determinaria a desarticulação, não de uma realidade, insisto, mas de todas as realidades do sujeito.

(Diagnostico Psicanalítico: Entendendo a Estrutura da Personalidade no Processo Clínico. Nancy MacWilliams)

domingo, 19 de novembro de 2017

EU IDEAL

"Inicialmente há uma relação narcísica fusional entre a criança e a mãe, não havendo, por parte da criança, distinção entre o si e o outro. Nesse momento, a criança se constitui como objeto capaz de satisfazer o desejo da mãe, identificando-se imaginariamente com o falo. Entretanto essa relação porta uma alienação fundamental para o bebê, tomado como objeto, que faz surgir a agressividade fundamental como tentativa de romper esta relação na qual o bebê se encontra capturado pelo desejo do outro. A tentativa de romper essa alienação é situada como desejo de reconhecimento. Nesse primeiro tempo, a criança está na dialética do ser ou não ser o falo, objeto do desejo para a mãe. Aí se colocam dois pontos: o eu e esse outro (imagem ideal) formada do lado de fora, aquilo com que a criança busca se identificar para satisfazer a mãe. Ora, estamos aqui no campo do Eu Ideal, em que a criança acredita que, para satisfazer a mãe, precisa identificar-se com aquilo que lhe falta: o falo. Assim todas as identificações presentes nesse momento do narcisismo primário remeterão à onipotência e à perfeição."
(Diagnostico Psicanalítico: Entendendo a Estrutura da Personalidade no Processo Clínico. Nancy MacWilliams)

domingo, 15 de outubro de 2017

Psicanálises

Além da pulsão, da psicologia do ego, das relações de objeto, das orientações relacionais e do self, há diversas outras teorias dentro do esquema psicanalítico que afetaram nossas conceitualizações do caráter. Elas incluem (mas não se resumem a) ideias de Jung, Adler e Rank; a “personalogia” de Murray (1938); a “psicanálise moderna” de Spotnitz (1976, 1985); a “teoria do script” de Tomkins (1995); a teoria do “melhoramento do controle” de Sampson e Weiss (Weiss, 1993); os modelos biológicos evolucionistas (p. ex., Slavin e Kriegman, 1990), a teoria contemporânea de gêneros (p. ex., A. Harris, 2008) e a obra de Jacques Lacan (Fink, 1999, 2007).... Não resisto a ressaltar minha previsão, na primeira edição deste livro, de que os psicanalistas logo iriam aplicar a teoria do caos (teoria do sistema geral não linear) às questões clínicas, uma profecia que tem se cumprido (Seligman, 2005).
 Nancy McWilliams

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Medo de Viver

"Lowen (1980) estabelece uma relação entre o medo de viver e o de morrer. Se a vida é ser, por que temos tanto medo dela? No relato dos casos que menciona em seu livro, observamos um paradoxo, ou seja, quando o indivíduo está mais cheio de vida, fica mais consciente da morte e do desejo de morrer. Viver plenamente com as emoções é se arriscar. Para não sofrer, a pessoa pode se "amortecer", não sentir mais, mas também não conseguirá viver. Segundo Lowen, toda tensão crônica no corpo decorre de um medo da vida, um medo de se soltar, um medo de ser. Quando o sujeito vai recuperando a sua vitalidade no processo psicoterápico, abre o caminho para o estado de dor que havia suprimido. Ativa-se o caminho da sensação de morte, mas também se está a caminho da vida."

(Morte E Desenvolvimento Humano,  Maria Júlia Kovács. Casa do psicologo, São paulo, 1992, p.26.)


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Diagnostico: de inconsciente a inconsciente

Crédito: Manuel Roberto/Divulgação
Crédito: Manuel Roberto/DivulgaçãoCrédito: Manuel Roberto/Divulgação
 "Na medida mesmo em que a formação do sintoma é tributária da palavra e da linguagem, o diagnóstico não pode deixar de se ver aí concernido. As referências diagnosticas estruturais advêm, então, num só registro. Não constituem, todavia, elementos confiáveis nesta avaliação diagnostica, senão à condição de se os poder desligar da identificação dos sintomas. A identidade de um sintoma nunca é senão um artefato a ser colocado por conta dos efeitos do inconsciente. A investigação diagnostica precisa, então, se prolongar aquém do sintoma, isto é, num espaço intersubjetivo, aquele que Freud definia como comunicação de inconsciente a inconsciente, com sua célebre metáfora telefônica."
(Joel Dor)