Pular para o conteúdo principal

Postagens

Diagnostico na Clinica Psicanalítica

"Apenas faz sentido inferir uma patologia de caráter ou um transtorno da personalidade quando os padrões da pessoa são tão típicos de um estereótipo que chegam ao ponto de impedir a adaptação e o crescimento psicológico. 
Um homem obsessivo organiza sua vida a partir de sua capacidade de pensar e de manter sua autoestima por meio de atos criativos como os acadêmicos, a análise lógica, o planejamento detalhado e decisões judiciosas. Um homem patologicamente obsessivo rumina de forma improdutiva, sem atingir qualquer objetivo, sem realizar alguma ambição e se odiando por andar em círculos. Uma mulher depressiva encontra satisfação cuidando de outras pessoas; uma mulher patologicamente depressiva não consegue cuidar nem sequer de si mesma. 
 Além de realizar distinções entre personalidade e transtornos da personalidade, é importante diferenciar caráter de reações a situações determinadas. Certas situações provocam o aparecimento de aspectos da perso…
Postagens recentes

Soberanias

O tempo tudo perece Não há prece, crença ou jura que desfaça essa realidade
Olho para cima Vejo O soberano Manchado de cinza seu azul insiste em dizer algo Tento ouvir em vão O tempo ao falar a verdade ensurdece

No silêncio das horas A solidão diz do fim do dia Do amor Da vida Durmo o sonho morte antecipada.
Ana A. Farias
24.11.2012

Eros e Tânatos: nossas porções de vida e morte por Samara Megume

Amor e ódio, sexualidade e agressividade, vida e morte, são forças que habitam o ser humano e estão presentes no cotidiano, tanto nos conflitos mais banais quanto nos mais mórbidos ou sublimes da humanidade. Tais pares de opostos estão misturados, amalgamados em tudo que o ser humano faz, pensa e sente. Por exemplo, onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos. Em psicanálise, elas podem ser nomeadas pelos conceitos de pulsão de vida (Eros) e pulsão de morte (Tânatos).
A mitologia apresenta uma bela metáfora para compreendermos a amálgama entre as pulsões. No mito grego, Eros (cupido na mitogia romana) é o deus do amor e Tânatos, deus da morte. Eros, o mais belo dos deuses, possui arco e flecha com os quais costuma enlaçar de amor homens, mulheres e deuses. Segundo consta na mitologia, certo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão …

Stand By

as urgências sem razão perderam-se no tempo
despediram-se
depois deixaram de ser
Ana Farias, 2013

Nutrição Comportamental

A relação que as pessoas têm com a comida vem se tornando cada vez mais complexa, você já percebeu? A clássica sensação de culpa após comer e a dificuldade para manter ou reduzir o peso são apenas algumas das consequências dessa conturbada relação. Mas você já pensou que pode existir um meio para melhorar a relação dos seus pacientes com a comida sem causar tantos impactos negativos? É o caso da nutrição comportamental, que leva em consideração não apenas a comida, mas todo o comportamento relacionado a ela. Pensando nos benefícios proporcionados pelo método, criamos esse post para ajudar você a melhorar a relação de muitas pessoas com a alimentação. Entenda melhor a seguir: O que é a nutrição comportamental?Apesar da grande quantidade de informações sobre alimentos e dietas, as pessoas continuam enxergando a comida como grande inimiga. A nutrição comportamental tem como objetivo mudar essa relação, fazendo com que as pessoas sintam prazer (e não culpa) em comer. Esse método considera os …

Pode ocorrer delírio e alucinação na neurose?

Nada impede que, logo após o surgimento de uma alucinação, se instale um sintoma neurótico e vice-versa. É isso precisamente que Freud diz: “As três formas de defesa e, por conseguinte, as três formas de doença a que essas defesas levam, podem estar reunidas numa mesma pessoa.” E ainda: “Não é raro que uma psicose de defesa venha episodicamente interromper o curso de uma neurose.”É espantoso que essa constatação clínica, banal no fim das contas, frequentemente assinalada por Freud e corroborada incessantemente em nossa prática, ainda não tenha conseguido extirpar definitivamente o erro de generalizar um episódio psicótico para o conjunto das realidades do sujeito. Um paciente alucina ou delira e, irremediavelmente, sem qualquer discriminação, é qualificado de psicótico; como se fosse um tique mental do clínico, determinado pela imensa importância dada à psicose. Importância enceguecedora que não nos deixa matizar nem pensar uma compatibilidade de acontecimento, em uma mesma pes…

EU IDEAL

"Inicialmente há uma relação narcísica fusional entre a criança e a mãe, não havendo, por parte da criança, distinção entre o si e o outro. Nesse momento, a criança se constitui como objeto capaz de satisfazer o desejo da mãe, identificando-se imaginariamente com o falo. Entretanto essa relação porta uma alienação fundamental para o bebê, tomado como objeto, que faz surgir a agressividade fundamental como tentativa de romper esta relação na qual o bebê se encontra capturado pelo desejo do outro. A tentativa de romper essa alienação é situada como desejo de reconhecimento. Nesse primeiro tempo, a criança está na dialética do ser ou não ser o falo, objeto do desejo para a mãe. Aí se colocam dois pontos: o eu e esse outro (imagem ideal) formada do lado de fora, aquilo com que a criança busca se identificar para satisfazer a mãe. Ora, estamos aqui no campo do Eu Ideal, em que a criança acredita que, para satisfazer a mãe, precisa identificar-se com aquilo que lhe f…

Psicanálises

Além da pulsão, da psicologia do ego, das relações de objeto, das orientações relacionais e do self, há diversas outras teorias dentro do esquema psicanalítico que afetaram nossas conceitualizações do caráter. Elas incluem (mas não se resumem a) ideias de Jung, Adler e Rank; a “personalogia” de Murray (1938); a “psicanálise moderna” de Spotnitz (1976, 1985); a “teoria do script” de Tomkins (1995); a teoria do “melhoramento do controle” de Sampson e Weiss (Weiss, 1993); os modelos biológicos evolucionistas (p. ex., Slavin e Kriegman, 1990), a teoria contemporânea de gêneros (p. ex., A. Harris, 2008) e a obra de Jacques Lacan (Fink, 1999, 2007).... Não resisto a ressaltar minha previsão, na primeira edição deste livro, de que os psicanalistas logo iriam aplicar a teoria do caos (teoria do sistema geral não linear) às questões clínicas, uma profecia que tem se cumprido (Seligman, 2005).
 Nancy McWilliams

Medo de Viver

"Lowen (1980) estabelece uma relação entre o medo de viver e o de morrer. Se a vida é ser, por que temos tanto medo dela? No relato dos casos que menciona em seu livro, observamos um paradoxo, ou seja, quando o indivíduo está mais cheio de vida, fica mais consciente da morte e do desejo de morrer. Viver plenamente com as emoções é se arriscar. Para não sofrer, a pessoa pode se "amortecer", não sentir mais, mas também não conseguirá viver. Segundo Lowen, toda tensão crônica no corpo decorre de um medo da vida, um medo de se soltar, um medo de ser. Quando o sujeito vai recuperando a sua vitalidade no processo psicoterápico, abre o caminho para o estado de dor que havia suprimido. Ativa-se o caminho da sensação de morte, mas também se está a caminho da vida."
(Morte E Desenvolvimento Humano,  Maria Júlia Kovács. Casa do psicologo, São paulo, 1992, p.26.)

Diagnostico: de inconsciente a inconsciente

Crédito: Manuel Roberto/Divulgação
Crédito: Manuel Roberto/DivulgaçãoCrédito: Manuel Roberto/Divulgação
"Na medida mesmo em que a formação do sintoma é tributária da palavra e da linguagem, o diagnóstico não pode deixar de se ver aí concernido. As referências diagnosticas estruturais advêm, então, num só registro. Não constituem, todavia, elementos confiáveis nesta avaliação diagnostica, senão à condição de se os poder desligar da identificação dos sintomas. A identidade de um sintoma nunca é senão um artefato a ser colocado por conta dos efeitos do inconsciente. A investigação diagnostica precisa, então, se prolongar aquém do sintoma, isto é, num espaço intersubjetivo, aquele que Freud definia como comunicação de inconsciente a inconsciente, com sua célebre metáfora telefônica." (Joel Dor)